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23 maio 2011
Nigel Kennedy
Nessa foto de 1964, o garoto com cara de quem preferia estar em outro lugar é Nigel Kennedy com cerca de 7 ou 8 anos de idade. É a mesma pessoa que aparece em outro vídeo já postado aqui, numa performance brilhante de “O Verão”, das Quatro Estações de Vivaldi - obra que o ajudou a se tornar bastante conhecido (sua gravação de "As Quatro Estações" com a English Chamber Orchestra, em 1989, vendeu mais de 2 milhões de cópias, e é um dos álbuns clássicos mais vendidos de todos os tempos).
A foto, portanto, é enganadora, pois não deixa antever um décimo da paixão com que esse músico vem se dedicando à sua arte desde a mais tenra idade. Contribui para isso o fato de que pertence a uma linhagem de músicos da mais alta estirpe (seu avô, Lauri Kennedy, foi primeiro cellista da BBC Symphony Orchestra, tendo tocado com os maiores nomes da época, tais como Fritz Kreisler, Jascha Heifetz e Arthur Rubinstein) e também o fato de que teve a melhor formação possível: foi aluno de Yehudi Menuhin e, mais tarde, de Dorothy DeLay, na Julliard School.
No vídeo abaixo, Nigel (ao violino) e Juliet Welchman (ao cello) executam algumas das Invenções a Duas Vozes de Bach (1, 14, 8 e 6). Confesso que só as conhecia nas interpretações de cravistas e alguns pianistas, como Glenn Gould e João Carlos Martins – jamais pensei que soassem tão bem com instrumentos de corda. Não se impressionem com o “jeitão” de Nigel : ele parece se sentir em casa, mesmo diante de uma platéia exigente e de músicos do mais alto nível.
19 abril 2011
Uma versão diferente de Jesus Alegria dos Homens
Vejam só que criatividade. Trata-se de um comercial que a NTT Docomo (empresa japonesa de telecomunicações) criou para divulgar a sua mais nova linha de celulares. O que há de tão especial nesses celulares? É que eles são feitos de madeira – mais precisamente, com madeira das florestas japonesas. Não, queridos ecólogos, botânicos e ambientalistas, não se preocupem: a madeira de que falo é proveniente da “poda” que os japoneses fazem regularmente em seus bosques para mantê-los saudáveis. Trata-se, portanto, de um produto politicamente correto. E onde a música se encaixa nessa história? Vejam abaixo:
12 dezembro 2010
Os melhores álbuns com músicas de Bach de 2010
Ouça faixas selecionadas dos dez melhores álbuns com músicas de Bach lançados em 2010, segundo a npr (a imagem acima é da capa de um dos álbuns, com a violinista Isabelle Faust).
(fonte: npr)
04 dezembro 2010
Descoberto grande investimento de J.S.Bach
Eberhard Spree, um contrabaixista da Leipzig Gewandhaus Orquestra, encontrou documentos bastante reveladores num dos arquivos do distrito de Freiburg.
Esses documentos referem-se a investimentos que Johann Sebastian Bach teria feito em uma mina de prata ao longo de seus últimos dez anos de vida. A imagem que se tinha do compositor, até então, era a de um funcionário municipal que vivia exclusivamente de seu trabalho como encarregado das atividades musicais da Igreja de São Tomás, em Leipzig. Pode ser que ele tenha sido mais esperto do que os estudiosos supunham.
Na foto, vemos Spree exibindo orgulhosamente o documento que encontrou.
(fonte: artsjournal)
Esses documentos referem-se a investimentos que Johann Sebastian Bach teria feito em uma mina de prata ao longo de seus últimos dez anos de vida. A imagem que se tinha do compositor, até então, era a de um funcionário municipal que vivia exclusivamente de seu trabalho como encarregado das atividades musicais da Igreja de São Tomás, em Leipzig. Pode ser que ele tenha sido mais esperto do que os estudiosos supunham.
Na foto, vemos Spree exibindo orgulhosamente o documento que encontrou.
(fonte: artsjournal)
Magdalena Kozena
Magdalena Kozena, nascida em 1973, é uma mezzo-soprano tcheca que chama a atenção não só pela beleza, mas pela técnica e pelo timbre singular de sua voz.
Mostrei, no post anterior, o manuscrito de um dos recitativos a cargo da personagem Cherubino, em As Bodas de Fígaro, de Mozart. Pois foi justamente este o papel que Kozena interpretou numa montagem recente dessa ópera.
Estreou em estúdios com uma gravação de árias de Bach, ainda na República Tcheca.
O vídeo abaixo é um "videoclipe" que, com inteligência e bom humor, tira partido da voz marcante de Kozena para criar uma historinha em que ela faz uma mulher tentando fraudar uma apresentação do seu filho, um solista infantil que está impossibilitado de cantar por causa de uma gripe, dublando-o na interpretação de uma ária da Cantata para a Festa da Natividade de São João Batista, BWV 30, de Bach (notem que a regência é do próprio autor...):
05 novembro 2010
O que há em comum entre Lady Gaga e Johann Sebastian Bach?
Bach viveu de 1685 a 1750. Seu legado é impressionante, tanto pela qualidade quanto pela quantidade, mas ele nos deixou algo particularmente precioso: o Cravo Bem Temperado. Seus 48 prelúdios e fugas foram decisivos para que o Sistema Tonal se estabelecesse de vez na Música Ocidental. Eis, então, a resposta à minha pergunta: o que une Bach, não só a Lady Gaga, mas a praticamente todo músico popular de nossos dias, é o Sistema Tonal.
E o que vem a ser o Sistema Tonal? Simples: toda vez que falamos em tonalidade (Dó Maior, Ré menor, Si menor, etc.), estamos nos referindo ao Sistema Tonal. A música popular é toda ele tonal (ou modal, ou uma mistura dos dois). De Elvis Presley a Lady Gaga, todos usam notas e acordes de alguma das 48 tonalidades possíveis. E a música erudita? Bem, essa continuou fiel ao Tonalismo por um bom tempo, atingindo o seu auge com Beethoven, Schubert e Brahms. Depois deles, no entanto, as exigências artísticas fizeram com que os novos compositores acabassem por desfigurar mais e mais o Sistema Tonal. Com Wagner e Debussy, por exemplo, já não se pode mais dizer com certeza a que tonalidade pertencem determinadas peças. No início do século 20, Schoenberg resolveu jogar uma pá de cal sobre o que restava do velho Sistema, criando o Dodecafonismo. Muitos o seguiram nesta nova tendência, que acabou desembocando em propostas ainda mais radicais, como o Microtonalismo e a Música Concreta. Mas houve quem propusesse, também, uma espécie de retorno ao sistema tradicional, por meio do Politonalismo e do Neo-Classicismo. A música popular, no entanto, ignorou todos esses “ismos”. Continuou atrelada aos mesmos conceitos do século 19, ou seja, aos acordes consonantes ou dissonantes, às escalas diatônicas, etc. É assim que nos encontramos hoje em dia, e é assim que ficaremos por muitos e muitos anos ainda.
Terminarei este post com um exemplo bastante simbólico de tudo o que disse acima: “Bad Romance”, com Lady Gaga. Ela começa e termina com uma pequena citação dos primeiros compassos da Fuga em Si menor, do Primeiro Volume de O Cravo Bem Temperado, de Bach:
Terminarei este post com um exemplo bastante simbólico de tudo o que disse acima: “Bad Romance”, com Lady Gaga. Ela começa e termina com uma pequena citação dos primeiros compassos da Fuga em Si menor, do Primeiro Volume de O Cravo Bem Temperado, de Bach:
Agora, a tal fuga, completa, executada com o Musanim:
Mais uma vez, a mesma fuga (com o prelúdio que a antecede), desta vez tocada por Glenn Gould (a fuga começa na marca dos 2:15):
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