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19 novembro 2010

Uma Introdução ao Sintetizador Moog

O vídeo no final deste post faz parte de um programa maior sobre a história da música eletrônica da BBC, e é perfeito para se entender como Wendy Carlos produziu seus primeiros álbuns. Mostra-se as operações básicas num sintetizador Moog, e ainda demonstra, de forma bastante sucinta, a sua utilização em conjunto com um gravador multipistas (Carlos, por exemplo, inicialmente utilizou um gravador de 8 pistas).




Obs: a foto acima é da super-máquina responsável pelos sons que ouvimos em álbuns como Switched on Bach.

Para ajudar no entendimento do vídeo, eu incluo, a seguir, a tradução de boa parte da narrativa, ao lado das imagens correspondentes.

Todos os sons instrumentais que estamos ouvindo são eletronicamente produzidos por um único homem num único instrumento musical. Ele se chama Sintetizador Moog. Ele produz sons de uma maneira que normalmente só se conseguiria com o esforço de experts em eletrônica com seus equipamentos complicados e muitos dias de trabalho.

O instrumento é feito de unidades eletrônicas independentes montadas num gabinete compacto. São osciladores (que produzem o som), filtros, amplificadores, e geradores de envoltória, que lhes dão forma. Um som pode ser também iniciado automaticamente. Você não precisa ser um expert em eletrônica para tocar o Moog. Tudo o que você precisa é de um bom ouvido musical, porque você cria o seu som simplesmente plugando nos lugares certos.

Quando você terminar, eles poderão ser executados no teclado.

O som é uma série de vibrações que viajam através do ar para serem interpretadas pelo ouvido. Essas vibrações são geradas eletronicamente por um oscilador. Um que tenha timbre simples e contínuo aparece dessa forma num osciloscópio:



Cada oscilador pode produzir um número ilimitado de timbres. Os sons para um instrumento musical convencional não possuem timbres tão simples, pois possuem numerosos harmônicos.


No Moog, este som é feito simplesmente conectando-se um segundo oscilador ao primeiro, e, então, repete-se o processo até que o novo som tenha um timbre mais encorpado.

Conectando-se vários osciladores, o som ganha uma espécie de qualidade, e qualquer som musical pode ser construído a partir destes componentes básicos. Agora, o som contínuo precisa ser formatado de modo que ele tenha maior musicalidade quando for tocado. Um módulo chamado gerador de envelopes faz isso controlando o modo como um som começa e termina.
Alguns sons musicais são feitos fundamentalmente dos mesmos tipos de vibrações, mas é a formatação da nota quando ela é tocada ...





...que faz a diferença entre o som de um piano e uma flauta.




Quando já está formatado, o som pode ser executado no teclado, que agora controla eletronicamente todos os outros módulos que estão sendo usados para criá-lo.

A extensão do teclado pode ser alterada permitindo-se a execução de notas que nunca foram antes ouvido num piano, onde elas não podem ser produzidas. Sons longos e contínuos podem ser tocados num segundo teclado fazendo-se o dedo correr sobre uma estreita fita metálica. Isto produz voltagens que mudam de forma contínua, que por sua vez produz sons variáveis.





Wendy Carlos x YouTube e etc.

Aprecio muito o trabalho de Wendy Carlos, do qual tomei conhecimento em 1978, quando comprei seu primeiro álbum - Switched-on Bach. Até hoje o tenho em bom estado – praticamente do jeito que o adquiri. A capa, coitada, já veio um pouco poída nas beiradas, o que não estranhei muito quando vi o ano de seu lançamento: 1968! Não se tratava, portanto, de nenhuma grande novidade, mesmo assim esse álbum me pareceu revolucionário. E me parece até hoje! A ponto de ter me convertido em definitivo ao mundo de Bach e, por extensão, de todos os mestres da música erudita. Deixei-me influenciar de tal modo por Switched on Bach que houve ocasiões em que fui ao cinema só por saber que a trilha sonora do filme tinha sido produzida por Wendy. Foi assim com Laranja Mecânica e, depois, com O Iluminado. Por isso, sempre quis homenageá-la neste blog. Se não o tinha feito até hoje foi porque não me sentia suficientemente certo de que deveria fazê-lo. Por que? É o que tentarei explicar no restante deste post.

Carlos x Intuitive Music

Se vocês entrarem neste site, verão que há uma foto antiga (em preto-e-branco) de Wendy Carlos, e a seguinte mensagem:

“devido a um comportamento exageradamente protecionista e a uma ação judicial predatória da SERENDIP, LCC CORPORATION, todas as resenhas e promos relacionados com as obras de Wendy Carlos foram retiradas deste site!”

Mais abaixo, vê-se uma repetição da mesma foto. Acima e abaixo dela, há links um tanto apagados. Clicando-se no primeiro deles (o que está acima da foto), entra-se no site da Intuitive Music, onde se lê o seguinte:

Temos que reconhecer que esta é uma das coisas mais surrealistas que já nos aconteceu ao longo dos quatro anos de existência da Intuitive Music. O fato é o seguinte: entramos em contato com o site oficial de Wendy Carlos (o legendário e pioneiro da música eletrônica nos anos 60) e com a Serendipity Records, requisitando uma entrevista para ser publicada em nosso site, mas recebemos um email apócrifo nos seguintes termos:

“Fora o contratempo, gostou da peça, Sra.Lincoln?
Suas páginas a respeito de Wendy Carlos são desrespeitosas, insensíveis, imprecisas e, em pelo menos uma das referências, provavelmente caluniosas. Além do mais, você está utilizando uma fotografia protegida por copyright sem a nossa permissão, o que infringe os direitos da Serendip LLC. Faça o favor de remover este material de seu website imediatamente.”

Respondemos, então, estupefatos:

“A quem interessar possa:
1 – Posso saber a identidade de quem escreveu esta mensagem, por favor?
2 – Quem é Sra.Lincoln? Meu nome é Niles, Naomi Niles.
3 – De maneira alguma tivemos a intenção de sermos “desrespeitosas, insensíveis, imprecisos e, em pelo menos uma das referências, provavelmente caluniosas” com a pessoa de Wendy Carlos. Primeiro porque não é esta a nossa política e segundo porque nós somos grandes admiradores de seu trabalho. Poderia nos dizer, por favor, onde exatamente nós teríamos sido desrespeitosos e todos os outros adjetivos que você usou? Isso nos ajudaria muito.
4 – Poderia nos dizer, por favor, qual imagem em nosso website está protegida por copyright e que teria sido usada sem permissão? E, se for o caso, poderia nos dar uma evidência disso? Não é nossa política fazer uso de material protegido por copyright sem a devida permissão, e até onde eu sei todas as fotos de Wendy Carlos que temos usado em nosso website são imagens promocionais.”

Eis a resposta:

“Quanto a “Sra.Lincoln”, vocês não estão a par de que ela estava ao lado do 16º presidente dos EUA quando ele foi assassinado no Teatro Ford?
Vocês deveriam acrescentar a palavra “ignorante” à forma com que lidam com Wendy Carlos (a lista de vocês é um lixo completo).
A Serendip LLC possui os direitos de cópia de todas as músicas e gravações de Wendy Carlos e também das assim chamadas fotos promocionais (verifique o aviso de copyright no site wendycarlos.com). Nós não permitimos a utilização de nenhuma foto nem as fornecemos para o seu website. Você deve retirar toda e qualquer foto de Wendy Carlos de seu website.
A.Franklin
Serendip LLC”

Acerca do tratamento “desrespeitoso” a Wendy Carlos no site da Intuitive Music, vocês mesmos podem julgar. O seu álbum “Switched on Bach” está em nosso Top 10 Best para álbuns eletrônicos dos anos 60 em nossa seção de resenhas:
Vocês podem ler também os arquivos sobre o artista em nosso Guia Técnico:

Carlos x Momus:





Em 1998, Wendy Carlos já havia ganho um processo que moveu contra o artista britânico Momus pela música “Walter Carlos”. O motivo foi esta letra (a original, em inglês, está aqui):





Walter Carlos não existe mais / Ele está no Elysium
Mas imaginemos que ele esteja em nosso continuum espaço-tempo.
Walter Carlos!
Compositor transsexual internacional daquela época gloriosa,
O grande sintetizador analógico / Barroco!

Ele agora é / conhecido como Wendy
Fez uma operação de mudança de sexo
Logo após ter feito Switched on Bach Volume 1


E quando a viagem no tempo for possível,
Wendy poderá entrar num “buraco de minhoca” e voltar ao futuro para se casar com Walter
Alguns verões barrocos antes
De um casal de modelos Moog voltar no tempo

(Repetir várias vezes: Legal legal legal / No verão / Cantando tra-la-la-la-la / E será legal num outro tempo)

Infelizmente,
Einstein nos ensina
Que quando a viagem no tempo finalmente for possível,
Não haverá como se retornar a períodos anteriores ao ponto em que a viagem no tempo se tornou possível pela primeira vez!

Portanto, assim como Walter Carlos agora só é possível no passado,
Teremos que nos contentar com viagens no tempo apenas no universo da música.

Obs: “buraco de minhoca” (wormhole) é, por incrível que pareça, um termo científico, e tem a ver com o “continuum espaço-tempo” (veja na Wikipedia - Buraco de minhoca).

No processo judicial, Wendy pedia uma indenização milionária (22 milhões). Chegou-se, no entanto, a um acordo: Momus comprometeu-se a pagar apenas pelas custas judiciais e pelos honorários advocatícios (30 mil dólares), mas teria que retirar a música “Walter Carlos” de seu álbum “Little Red Songbook”.

Retirou-se, então, a música do álbum, mas... eis que ela surge na Internet!

Eu a ouvi – e não gostei. Ok, o problema pode estar no meu gosto musical, que não combina muito com o desse artista, sei lá. A letra é inventiva, bem-humorada, mas um pouco hermética (por usar termos excessivamente técnicos) e ingenuamente irresponsável (politicamente incorreta, para usar um termo mais suave). De qualquer forma, “a quem interessar possa”, há um arquivo MP3 gratuito para download no site da dilandau.com (não coloco aqui um link para esse site porque, dessa história toda, só me interessa mesmo é o fato de que não adiantou nada Momus ter obedecido à ordem de retirar a tal música de seu disco).

Mas a história não termina aí. Trinta mil dólares ainda era um valor alto demais para Momus e sua pequena gravadora, a Le Grand Magistery. Momus solucionou o problema com uma idéia bem original: se Wendy não gosta de “homenagens” daquela espécie, outros poderiam gostar - e até pagariam por elas! Dispôs-se, então, a compor uma “homenagem musical” para cada pessoa que se dispusesse a pagar mil dólares para vê-la incluída em seu próximo CD, “Stars Forever”. Acabou conseguindo 30 “patrocinadores”, cobrindo, assim, o prejuízo causado pela ação de Wendy. E mais: o trabalho ficou melhor que o original, tendo sido muito elogiado pela crítica musical inglesa!

Carlos x YouTube:

Pioneira no uso de sintetizadores em gravações de música clássica (Switched-on Bach, de 1968), colaboradora de Stanley Kubrick em filmes como Laranja Mecânica e O Iluminado, e autora da trilha sonora de filmes da Disney, como Tron e A Bela e a Fera, Wendy Carlos é uma lenda viva no meio musical. Seria natural, portanto, que encontrássemos farto material a seu respeito no que é hoje considerado o maior fenômeno da mídia nos últimos tempos - o YouTube. Mas é como eu disse: seria natural, mas não é o que ocorre.

Procure por “Wendy Carlos” no YouTube e ele te retornará uma imensa quantidade de vídeos relacionados – mas quase nenhum com a música de Carlos. Os poucos que encontrei com sua música eram referentes ao filme Laranja Mecânica, e podem nem estar mais lá no momento em que escrevo este artigo. O resto dos vídeos (ou seja, praticamente todos) são de discípulos mundo afora que, usando Moogs e outros sintetizadores, procuram imitar o estilo e a sonoridade límpida de suas interpretações modelares.

Carlos parece ter um zelo extremo no que diz respeito aos direitos autorais. Sei que não está sozinha nesta luta, mas... será que essa postura não a prejudica? Afinal, exposição é tudo para um artista. Em outras palavras: quanto mais conhecido, mais chances ele terá de viver de sua arte. Nesse sentido, o YouTube é justamente a chance que todo artista pediu a Deus. Um bom vídeo pode ter milhões de acessos – o que é uma propaganda e tanto! Talvez não o seja para artistas cujos álbuns são vendidos aos milhões, mas eu duvido que Wendy Carlos venda, hoje em dia, um décimo disso. Em todo caso, ela deve saber o que faz...

Wendy não é avessa à Internet – muito pelo contrário. Uma prova disso é a sua página pessoal – que ela mesma administra há anos, e é um verdadeiro portal, onde trata não só de música, mas de arte e ciência em geral, misturando-os em experiências fascinantes. Seu “hobby” predileto é fotografar eclipses solares – mantem, por isso, uma seção inteira às fotos que ela mesma tira desses fenômenos, o que a tem feito viajar pelos cinco continentes em busca das belíssimas imagens de sua coleção. Mas o cerne do seu trabalho ainda é a música. Era amiga de Bob Moog, com quem colaborou no desenvolvimento dos primeiros sintetizadores (e a quem dedica um longo texto), e atualmente testa os mais novos projetos da Garritan – sobre os quais também fala em detalhes.

O curioso é que, embora pareça desprezar o fenômeno YouTube, é justamente nele que se faz a melhor propaganda de seu trabalho - principalmente entre os mais jovens, que são maioria absoluta entre os usuários e jamais ouviram falar no seu nome. Há uma legião de fãs postando vídeos com suas próprias versões sintetizadas de Bach, Scarlatti, etc., tocados “a la” Carlos. São homenagens sinceras (muito competentes, por sinal) e que têm o efeito de valorizar ainda mais a obra dessa grande artista, divulgando-a, ainda que de uma forma indireta, mas soberba e, o mais importante, sem custos! Graças a esse vídeos, muitos dos que nunca ouviram falar de Wendy Carlos acabarão visitando o seu site – e até comprando os seus CDs.


Referências:
Entrevista com Momus sobre a ação movida por Carlos: http://www.freewilliamsburg.com/august_2002/momus.html
Matéria sobre como Momus salvou sua gravadora: http://www.answers.com/topic/momus-artist
Momus na Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Momus_(musician)

17 novembro 2010

Gentle Giant

Gentle Giant é um grupo de rock progressivo da Grã-Bretanha. Um dia, eu volto aqui para falar mais deles (pretendo fazer uma série sobre rock progressivo, e este grupo está entre os mais representativos daquele movimento).

Só para não passar em branco, ouçam “Moog Fugue”:



15 novembro 2010

Sons Espaciais



Depois de Wendy Carlos, um dos nomes mais lembrados quando se fala em música sintetizada eletronicamente é o do japonês Isao Tomita.

Nascido em 1932, Tomita teve aulas particulares de orquestração e composição enquanto estudava História da Arte na Keio University, de Tóquio. Após formar-se, em 1955, dedicou-se integralmente à composição para teatro, cinema e televisão. No final da década de 1960, ao tomar contato com o trabalho de Wendy Carlos (mais especificamente com o seu álbum Switched on Bach, que continha músicas de Bach executadas num sintetizador Moog), Tomita decidiu comprar o seu primeiro sintetizador (um Moog III) e começou a montar o seu próprio estúdio. Nele, produziu o álbum “Snowflakes are Dancing”, de 1974, uma coletânea de obras de Claude Debussy arranjadas (reorquestradas) eletronicamente. Inaugurava-se, assim, o estilo inconfundível de Tomita, que se perpetuaria nos álbuns seguintes, como O Pássaro de Fogo (transcrição da obra homônima de Igor Stravinsky), Quadros de Uma Exposição (de Mussorgsky) e Os Planetas (de Holst).

Pode-se, de fato, falar num “estilo Tomita”,  caracterizado por uma espécie de atmosfera “espacial” que ele empresta às obras clássicas, consequência do emprego de uma ampla variedade de efeitos - baseados principalmente na reverberação e no uso indiscriminado de timbres explicitamente eletrônicos (claramente artificiais) em meio aos mais “comportados” (inspirados em instrumentos acústicos). Um estilo assim casa-se com perfeição à tessitura orquestral de Os Planetas. Deste álbum, escolhi a faixa que é, de longe, a mais conhecida do grande público (principalmente dos que costumavam assistir ao “Mister M”, no Fantástico).

Marte - Parte I:



Marte - Parte II:



Os sons a seguir são também espaciais, mas no sentido estrito da palavra: vieram do espaço sideral, transmitidos por sondas enviadas pela NASA aos confins do nosso sistema solar.


Obs: o áudio acima foi obtido no site da NASA.

E, agora, os sons de Júpiter, capturados em 1990 pela Voyager:



Todos esses sons são o resultado de complexas interações magnéticas de partículas do vento solar com a magnetosfera do planeta. O resultado é surpreendente, e pode muito bem servir como inspiração para compositores de vanguarda. Veja só esta composição de Daniel Wright:



Se invertêssemos a ordem das duas músicas anteriores, seria difícil dizer qual delas foi composta por um ser inteligente e qual foi “composta” pela própria natureza. Isso me leva a crer que tal tipo de música prescinde do elemento humano. Será, então, Arte?

Outro exemplo interessante – desta vez, obra de um compositor renomado.

Edgar Varese – Ionisation:



FRONTEIRAS DA MÚSICA

Continuando a nossa viagem espacial, falarei sobre John Cage. Este compositor, em sua “viagem”, chegou virtualmente às fronteiras da música, tendo alcançado fama mundial por causa principalmente de uma única obra (que ele mesmo considera a mais importante de sua carreira de compositor): 4’33’’. Isso mesmo: o nome dela é “Quatro minutos e trinta e três segundos”. Dividida em três movimentos (Tacet I, Tacet II e Tacet III), essa música foi “composta” originalmente para o piano, mas pode ser “tocada”, segundo seu próprio autor, por qualquer instrumento ou grupo de instrumentos. Vocês entenderão melhor o que digo ao “ouvirem” a peça.

Primeiro, em sua versão “original”, para piano, com o pianista (será?) Armin Fuchs:



Uma observação: “Tacet” é uma palavra latina que significa “silêncio”.

Agora, numa versão “orquestral”:



Observe que a peça acima poderia ser, também, um “Concerto para Tosses e Murmúrios” (numa versão gravada em estúdio, sem a participação do público, serviria, também, como música ambiente para hospitais).

Agora, num vídeo didático, um jovem músico (será?) mostra como se deve tocá-la (achei muito boas as suas explicações, em que pese tratar-se de um péssimo intérprete, o que fica evidenciado pelos “erros crassos” que cometeu em alguns momentos):



Agora, sim, um grande intérprete: David Tudor. Ele foi o primeiro pianista a executá-la, num recital em Nova Iorque, em 29 de agosto de 1952. Aqui está ele numa de suas performances:

28 junho 2009

O Auduino



Auduino

(mas o que é isso?)
O utro dia, assisti a um vídeo no Youtube que me deixou bastante curioso. Lembrei-me dos tempos em que me divertia construindo "geringonças" eletrônicas capazes de sintetizar sons que eu achava maravilhosos, mas que deviam ser uma tortura para os meus familiares (se um dia eu encontrar a fita que eu gravei com esses sons, vai ser muito divertido colocar aqui neste blog). Eis o vídeo:



Não tive tempo de me informar completamente a respeito, mas o pouco que descobri me deixou animado a (quem diria...) retirar a poeira do meu "protoboard" (sim, eu o tenho até hoje!) e voltar aos tempos em que eu ainda achava que podia construir o meu próprio sintetizador. Será que agora vai?

MAS, O QUE É O AUDUINO?

O Auduino é um sintetizador que pode ser construído por qualquer um, já que se baseia no Arduino (só troca o "u" pelo "r" na segunda letra), uma plataforma para prototipagem eletrônica de código aberto, baseada em hardware e software de fácil acesso. Isto significa o seguinte: basta copiar o seu esquema, o seu software, comprar as peças e construí-lo.

Bom, presupõe-se, é lógico, que a pessoa tenha um mínimo de conhecimento de eletrônica, mas talvez apenas o necessário para entender o esquema e diferenciar os terminais de um transistor, por exemplo.

Eu resolvi escrever este artigo não exatamente para dissecar o assunto, mas porque estou pensando em construir esse protótipo. E porque, se isso ocorrer realmente, todos poderão acompanhar aqui um diário dos meus progressos nessa empreitada. Nesse caso, obviamente, acabarei abordando tudo em detalhes.

Por enquanto, é só. Termino com este vídeo de mais um dos que se aventuraram a montar o Auduino.

ARDUINO EXPERIMENT from medaispoca on Vimeo.




30 maio 2009

Korg Triton Extreme 88-Key Synthesizer




Obs: Este post contem a tradução da análise feita por Dan Maynard, para a Piano Keyboard Reviews, do sintetizador com teclado de 88 teclas Triton Extreme, da Korg.


O Korg Triton Extreme 88-Key Synthesizer tem funções tanto para sampling como para composição, e não é, definitivamente, para quem pretende simplesmente adquirir um substituto para o piano. Com cinco vezes mais memória que o modelo Triton tradicional, ele tem capacidada para armazenar até 1334 presets.

O sintetizador Korg Triton Extreme 88-Key disponibiliza uma enorme quantidade de sample voices, incluindo os populares Trance Attack, Orchestral Collection, Dance Extreme e Studio Essentials. O sequenciador de 16 bits usa o exclusivo Korg Open Sampling System, e apresenta o In Track Sampling, com o qual se pode samplear áudio diretamente no sequenciador enquanto ele toca.

Uma polifonia de 120 notas garante ao músico a tranquilidade de que nenhuma nota será abortada, mesmo nas passagens musicais mais densas, e as 200 canções (e 200.000 notas) à sua escolha fazem desta estação de trabalho a realização dos sonhos de qualquer compositor. A função Realtime Pattern / Play Recording (RPPR) também tem feito muito sucesso entre os seus usuários.

Devido ao preço pelo qual é vendido (em torno de $2300), é natural que se olhe também para as versões do Triton Extreme com 76 ou 61 teclas. Estes custam $1900 e $1600, respectivamente, e suas teclas vêm com synth action, resposta variável de velocity e aftertouch. No entanto, o modelo com 88 teclas vale o investimento extra devido ao seu teclado com Real Weighted Hammer Action II (teclado com mecanismo que reproduz a ação e o peso das teclas do piano), exclusivo da Korg, que proporciona a sensação de um piano acústico.

Mas há certas questões que vêm sendo suscitadas em outras análises a respeito desta estação de trabalho. A principal delas é que a RAM onboard só permite cerca de dois minutos de sequências mono, e ainda menos de sequências stereo. A RAM pode ser expandida para até 96 MB, mas isto é, ainda, insuficiente para o tipo ambicioso de composição para o qual esta estação foi projetada. Um outro problema são as ligeiras interrupções que ocorrem no som quando se mudam programas e combinações, particularmente quando se está usando IFX e MFX (apesar de o testador ter relatado que os mesmos eram inaudíveis no meio das outras partes que se está tocando).


CONCLUSÃO

Este Korg Triton é, definitivamente, uma estação de trabalho para os que procuram uma enorme variedade de funções de sampling e gravação que os ajudem a criar composições complexas. O azul sóbrio de seu gabinete é fantástico para performances ao vivo, ou mesmo num estúdio, e o mecanismo exclusivo de ação do teclado de 88 teclas faz valer o investimento extra.






29 maio 2009

MOOG VOYAGER OLD SCHOOL (Parte 6)

Aqui está o final desta série em que traduzo a análise feita por Paul Nagle, para a Sound on Sound, do Minimoog Voyager Old School. Resolvi juntar num mesmo post a conclusão e as duas observações adicionais que ele fez em seu artigo, para que possamos entrar em novo assunto já no próximo post.

Antes, já que o autor faz uma série de comparações deste produto com o seu antecessor (a que ele se refere, abreviadamente, por Voyager), vejam este vídeo, em que os dois modelos podem ser vistos lado-a-lado, em plena atividade numa feira em Frankfurt:





Vamos, então, ao resto deste artigo:

CONCLUSÃO
Se, antes do lançamento do primeiro Voyager, alguém tivesse me perguntado o que eu gostaria de encontrar num Minimoog moderno, minha resposta ficaria a centenas de milhas do que é hoje o Old School. Para começar, acho o seu nome oficial (Minimoog Voyager Old School) excessivamente longo; como teria sido melhor se eles o tivessem chamado simplesmente de Minimoog Model E! De todo modo, este sintetizador é tão adaptado às exigências de um solista como o era o Model D de anos atrás. Basta olhar de relance para o seu painel para encontrar o que procura; seus controles parecem todos justos e estão ergonomicamente distribuídos para não nos impedir o acesso a toda a riqueza de seus tons. Entretanto, você não precisa estar preso ao passado: o Old School tem muito mais a oferecer do que isso, graças ao seu LFO dedicado, ao oscillator sync, ao FM e ao sistema dual de filtragem. Considerando-se, ainda, o barramento duplo de modulação e a interface do painel traseiro, as opções tendem a crescer exponencialmente.

Um Voyager V3 oferece 896 configurações prontinhas para usar, mas eu lhes garanto que um músico experiente em Old School será capaz de se virar nos controles para achar o som desejado no mesmo tempo que levaria para selecioná-lo de uma lista – com a vantagem de que a cada vez este som será um pouco diferente. Não vá para um Old School se o que você busca é fazer uma música absolutamente repetitiva; sem memórias para ajudar, o usuário deste sintetizador é estimulado, não a decorar (ou anotar) cada configuração favorita, mas a entender o instrumento com tal profundidade que a tarefa se torne intuitiva. Por 500 libras esterlinas a menos do que se pagaria por um Voyager Performer, o Old School pode servir tanto para economizar quanto para educar.

Nem tudo, entretanto, são rosas neste jardim. Descartar a tecnologia MIDI parece ter sido um corte radical demais, principalmente se considerarmos o desafio que é sequenciar o Old School através do CV input. Uma objeção menor seria a dificuldade de se ajustar ataques longos e tempos de releases suficientemente precisos. Até admito que se trata mais de um problema para o meu estilo de executar solos fluentes do que de uma limitação séria. Na verdade, se eu tivesse que indicar uma única coisa que realmente tenha me incomodado, eu mencionaria aquelas marcas azuis de configuração “default”. Elas realmente desvalorizam o que, de outra forma, seria um painel bastante elegante. Sim, eu sou um velho ranzinza, a ponto de cismar com tais coisas – mas será que nós realmente regredimos tanto assim no espaço de 30 anos que agora precisamos conviver com essas marcas no painel?

Além disso, bits não fazem parte dos sinais que um Voyager possa processar, mas se você sente que a presença da tecnologia MIDI e de patch memories são uma espécie de truque sujo, ou se você simplesmente sonha com um Moog moderno, confiável e simples de usar, o Voyager Old School é exatamente o que um médico lhe prescreveria.


OBSERVAÇÕES:


Preocupações com o CV...
A despeito da diversidade de conexões oferecidas pelo Old School, alguns poucos itens importantes não conseguiram ganhar um lugar de destaque no meio da multidão. Existe uma escassez de voltage outputs. No entanto, como um extra opcional, estes podem ser acrescidos graças ao CV Expander VX351, da Moog, por meio de um pequeno conector multi-pino que permite o acesso a voltagens produzidas pelo velocity e pelo aftertouch do teclado, assim como a do mod wheel, entre outros. Tenha em mente que este expansor foi criado para o Voyager original, de modo que algumas de suas saídas (por exemplo a do Touch Surface) não se aplicam ao Old School, ou, no caso das saídas de pitch e gate, apenas duplicam o que já estiver lá.

Foi bom que o CV e a interface Gate tenham sido colocadas on board, já que, na ausência da tecnologia MIDI, o Old School precisa de uma alternativa que lhe permita interagir com o mundo exterior. Nos meus próprios testes, eu achei que a tensão de saída do teclado estava muito abaixo da do meu Roland SH101. Estranhamente, todas as notas abaixo do Do mais grave o deixaram louco – apesar de três oitavas (C-C) terem funcionado confiavelmente. Após uma investigação, descobriu-se que o Old School estaria enviando voltagens negativas a todas as notas abaixo do primeiro Do, um fato com o qual alguns sintetizadores (como o 101) não conseguem lidar.

Infelizmente, foi a chegada da resposta pitch-CV que me causou mais problemas. Impulsionado pelo SH101 ou pelo meu conversor Kenton Pro 2000 MIDI-to-CV, o Old Scholl esteve longe de se comportar corretamente. A Moog me informou que eles decidiram omitir do projeto a calibração para a entrada CV, e, como melhor solução, me sugeriram utilizar um atenuador, que poderia ser tanto o de um VX351 como o de um Processador de Controles Moogerfooger CP251 (ou de um módulo similar, no caso de se ter um sintetizador modular), para fazer o ajuste fino da voltagem na entrada e, assim, deixar o Old School perfeitamente afinado.

Pessoalmente, eu posso viver muito bem sem patch memories e botões de controle MIDI – mas sem o essencial para a recepção de notas nesse protocolo, eu não consigo disparar aqueles graves explosivos do Moog a partir de um sequenciador sem enfrentar custo adicional ou complicação. Neste ponto, minha nostalgia transferiu-se, por um breve momento, para os primeiros dias do protocolo MIDI, que traz, em si, a solução exata para esse tipo de incompatibilidade de voltagens.


Fora do Menu
Obviamente, existem truques que um Voyager com tecnologia digital pode fazer e que estão além do escopo do Old School – sem um esquema de menus, muita coisa tem que ser simplificada. Portanto, no Old School, não há meios de se fazer transposições no teclado ou configurar curvas de velocidade diferentes. O alcance do pitch-bend vem pré-configurado de fábrica através de um jumper interno, e, portanto, não pode ser programado para cada patch. O modelo testado foi configurado para sete semitons acima ou abaixo, mas você pode mudar isso (desde +/- dois semitons até +/- uma oitava) seguindo-se as instruções providas pela Moog em seu web site.

Não há como emular o mod wheel baseado em menu, nem o mapeamento de pedal (pot mapping), existentes no Voyager, mas há uma outra das características ocultas do Voyager de que eu sinto mais falta: enquanto outros modelos Voyager permitem que se selecione livremente os pólos usados por cada filtro, desde um até quatro, ambos os filtros do Old School estão fixos em quatro pólos, que é o padrão da Moog.

DEMAIS ARTIGOS DESTA SÉRIE: 1 - 2 - 3 - 4 - 5




28 maio 2009

MOOG VOYAGER OLD SCHOOL (Parte 5)

Esta é a quinta parte do artigo sobre o MOOG VOYAGER OLD SCHOOL, de Paul Nagle, mas, antes, vejam esta demonstração caseira:





Viram o que se pode fazer com um equipamento desses? Observaram o trechinho de Jean-Michel Jarre no início?

Agora, o artigo:

FILTROS E ENVELOPES
Havia um único filtro passa-baixas no Minimoog original, e só isso já foi o suficiente para torná-lo uma lenda. O Old School tem dois deles e uma chave com a qual você pode escolher uma dessas duas configurações: a primeira é o modo Paralelo Passa-Baixas, e a segunda é o modo Serial Passa-Altas e Passa-Baixas. Selecionando-se o modo paralelo, cada filtro é direcionado a uma saída de áudio separada; selecionando-se o serial, o áudio é enviado por igual a ambas as saídas.

Como já foi dito anteriormente, a Moog não previu um meio de configurar a frequência de cada filter cutoff individualmente. Em vez disso, ela permite que se especifique apenas o intervalo entre essas frequências, podendo esse intervalo ser de até três oitavas, para cima ou para baixo. Acionando-se o modo Passa-Altas/Passa-Baixas, entra-se num terreno onde os sons ou são mais lisos ou mais ásperos. Se você procura por sons mais intimistas, afastando-se das características de um Moog, este modo pode tornar-se o seu favorito, com o espaçamento entre os filtros atuando diretamente para tornar um som mais oco ou mais cheio.

Os envelopes (envoltórias) ADSR (attack, decay, sustain e release) foram posicionados verticalmente, e respondem com agilidade, percorrendo valores que vão desde um milissegundo a até 10 segundos. Eu não fiquei particularmente convencido com a calibração utilizada nos botões. No caso do attack, a maior parte do curso de seu botão é ocupado pelos ataques mais rápidos, e no caso do release, uma grande parte do movimento do botão traduz-se em tempos extremamente curtos; somente uma estreita fatia desse bolo está reservada à faixa que vai de um segundo até o máximo. No modelo testado, este máximo ultrapassava os 20 segundos, dificultando enormemente a tarefa de definir com maior precisão os tempos de release.

Assim como no Minimoog, ficou estabelecido, por default, que os envelopes terão single triggering. Isto combina perfeitamente com o meu estilo mais relaxado de tocar – mas pode ser um problema para quem precisa de um fraseado rápido e articulado. Para tais casos, dispõe-se do multi-triggering. Este, no entanto, só é ativado quando se liga o equipamento mantendo-se pressionadas as duas últimas teclas do teclado – algo que, convenhamos, não sei se você gostaria de fazer ao vivo! Esse procedimento tem que ser feito, também, toda vez que o multi-triggering for necessário, já que o sistema não guarda o status. O teclado emprega um critério em que a última nota tocada prevalece, em vez de priorizar a nota mais grave, o que eu considero um avanço. Por fim, há uma chave para inibir o keyboard triggering dos envelopes – conveniente quando se quer que os filtros processem sinais externos.

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27 maio 2009

MOOG VOYAGER OLD SCHOOL (Parte 4)

Antes do artigo propriamente dito, um vídeo demonstrativo do MOOG VOYAGER OLD SCHOOL:





LFOs E VCOs
Creio que todos hão de concordar com o quanto é vital a presença de um LFO dedicado. O que está implementado neste produto cobre uma faixa que vai, aproximadamente, de 0,2Hz até 50Hz, mas que pode ser consideravelmente extendida dependendo da voltagem positiva ou negativa que for aplicada em Control Inputs / Filter. Existem somente quatro formas-de-onda disponíveis: triangular, quadrada, sample-and-hold e sample-and-hold suavizada. Curiosamente, a dente-de-serra não foi disponibilizada – mas os fãs desse tipo de onda ficarão satisfeitos em saber que, assim como no Minimoog, pode-se designar para qualquer um dos três osciladores principais o papel de uma fonte adicional de baixa frequência. Existe, para isso, uma chave que desativa a ligação deste oscilador com o teclado, exatamente como nos velhos tempos.

Em contraste absoluto com o meu próprio (e aposentado) Mini, os VCOs comportaram-se impecavelmente, estabilizando-se depois de uns poucos minutos e mantendo-se assim. A frequência do Oscilador 1 é fixada pelo controle principal de ajuste fino, com os outros dois osciladores podendo ser regulados até sete semitons acima ou abaixo. Os osciladores soam majestosos – desde a sua configuração mais grave, de 32’, até a de 1’ - uma oitava que mostra o seu verdadeiro valor quando você começa a explorar um outro truque “pós Model D” – a Frequência Modulada. Ao acionamento de uma chave, o VCO3 transforma-se na fonte FM do VCO1, proporcionando excessos selvagens de tons metálicos e dissonantes, deixando qualquer solo mais picante.

Por falar em picante, fiquei bastante impressionado, outro dia, com o pedal Moog Freqbox e seu rico oscillator sync, e eu estou mais feliz ainda com a sua implementação no Old School. Designe a um Modulation Bus o papel de controlador de aftertouch sobre a frequência do Oscilador 2, e, pronto, eis o seu oscillator sync. Presumo que a Moog aperfeiçoou a resposta do aftertouch devido à publicação de uma reportagem anterior, porque eu o achei funcionando muito bem, superado, em minha própria “parada de sucessos”, apenas pelo Prophecy, da Korg.

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