Medicina e Música são atividades aparentemente tão díspares que dificilmente nos damos conta do quanto elas podem ser complementares. Veja-se o exemplo da Musicoterapia, em que melodias e harmonias põem-se a serviço da Medicina. Pois acabo de descobrir um exemplo em que, ao contrário, são os bisturis que se põem a serviço da Música. Esse exemplo quem nos dá é justamente o personagem desse post: Charles Limb.
De fato, como
especialista em cirurgias de implante coclear, Limb assumiu a nobre missão de fazer com que pessoas acometidas de surdez voltem a ouvir - não somente os sons, mas as notas musicais! O ponto alto de sua palestra (intitulada "Building the musical muscle" - ver vídeo abaixo) ocorre justamente no trecho em que ele nos relata o caso de uma cirurgia extremamente bem-sucedida, e em seguida nos surpreende explicando porque está insatisfeito com os resultados. Para ele, a medicina tem operado verdadeiros milagres, mas está longe, muito longe ainda, de preencher o vazio deixado pela surdez, já que os implantados, embora possam manter uma conversação praticamente normal com qualquer pessoa, continuam absolutamente incapazes de captar a beleza de qualquer melodia ou harmonia (o que, para um amante da música como o Doutor Limb, é de
partir o coração...).
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16 junho 2012
27 maio 2011
Robert Gupta e Joshua Roman – “Passacaglia”
Robert Gupta é violinista da Los Angeles Philarmonic, onde ingressou com apenas 19 anos de idade, mas também empresta o seu talento a atividades relacionadas à neurobiologia e à saúde mental.
Joshua Roman foi o pricipal cellista da Orquestra Sinfônica de Seattle de 2006 (quando tinha 22 anos) a 2008. É o mais jovem solista a ingressar nessa orquestra.
A peça tocada no vídeo abaixo foi escrita por Johan Halvorsen para violino e viola (Roman executa a parte da viola num cello Stradivarius). A apresentação ocorreu no palco da TED Talks.
08 maio 2011
John Walker recria grandes interpretações
Será que algum dia existirá um programa de computador capaz de gerar partituras a partir de músicas gravadas em arquivos MP3? Estou entre os que acreditam que sim. Esse é, inclusive, o sonho de nove entre dez músicos (senão de todos). Mas está longe de ser conseguido. Alguns dos softwares que eu conheço até que se saem maravilhosamente bem com música monofônica. O bicho pega mesmo é com a polifonia (um dia, volto aqui para tratar especificamente desse assunto). A palestra que veremos no vídeo abaixo tem muito a ver com o que acabei de falar. Nela, John Q. Walker nos fala de um produto que realmente funciona – ou seja, que faz aquilo a que se propõe, que é recriar, num piano acústico real, uma performance gravada anteriormente. Não se trata da transcrição propriamente dita, ou seja, das notas, mas do “toque”, da força com que os dedos do pianista aciona cada tecla, e das inúmeras gradações de pedal. Não deixa de ser um verdadeiro milagre da tecnologia. Leia, antes, a sinopse que acompanha o vídeo no site da TED Talks:
Imagine-se ouvindo grandes pianistas, já falecidos, tocando agora novamente, como se estivessem vivos. John Q. Walker demonstra como as gravações podem ser analisadas para determinar com precisão os toques nas teclas e os movimentos de pedal para, então, serem tocadas novamente em pianos de concerto controlados por computador.
(aproveite para ver também a minha seção de partituras gratuitas: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)
07 maio 2011
O cérebro e o improviso musical
Como sempre, antes de mencionar aqui alguma palestra da TED Talks que tenha me impressionado, eu aguardo a conclusão de sua legendagem em português. E o vídeo abaixo é dos que mais me fascinaram nos últimos tempos. Refere-se especificamente a um estudo sobre o que ocorre no interior de nosso cérebro enquanto estamos elaborando algum improviso musical. Leiam, antes, a sinopse extraída do próprio site:
O músico e pesquisador Charles Limb se perguntava como o cérebro funciona durante a improvisação musical – então ele colocou jazzistas e rappers num scanner de fMRI (imagem de ressonância magnética funcional) para descobrir. O que ele e sua equipe desvendaram tem implicações profundas na compreensão da criatividade de todos os tipos.
29 abril 2011
Uma Teoria Darwiniana da Beleza
No final do ano passado, assisti a uma palestra do TED Talks que me deixou vivamente impressionado. Assunto: "Uma Teoria Darwiniana da Beleza". O palestrante, Denis Dutton, é professor de filosofia e editor da Arts & Letters Daily. A gravação ocorreu em fevereiro de 2010, num dos auditórios da TED TALKS. Demorei para mencioná-la porque somente agora percebi que os trabalhos de legendagem já haviam sido concluídos. Mas valeu a pena. Dutton confessa que é fascinado pelo conceito de "beleza". Eu, por meu turno, estou fascinado pela sua linha de raciocínio, ou seja, pela forma com que ele defende a tese de que o cérebro humano parece ter sido “projetado” para buscar o “belo” em tudo que o cerca, e que esse comportamento é uma consequência natural da evolução da espécie humana. O video dura pouco mais de 15 minutos - que passam rápido demais porque, em vez daquelas tradicionais apresentações em PowerPoint, Dutton sincroniza a sua fala com as ilustrações do animador Andrew Park, que são uma atração à parte. Leiam, antes, a sinopse extraída do próprio site:
“TED colabora com o animador Andrew Park para ilustrar a provocativa teoria da beleza de Denis Dutton - de que arte, música e outras coisas lindas, longe de estarem simplesmente ‘nos olhos de quem vê,’ são uma parte vital da natureza humana com profundas raízes evolucionárias.”
Obs: para apreciar melhor as ilustrações, eu recomendo que o leitor expanda o vídeo para a tela inteira.
(fonte: TED Talks)
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