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08 junho 2011

Sung-Bong Choi

Mais um talento nato. Dessa vez, foi no Korea's Got Talent. Se, depois de assistir ao vídeo abaixo, você se comover com a história desse rapaz de 22 anos e achar que ele leva jeito para a carreira de cantor, demonstre o seu apoio acessando a sua página no Facebook.

10 maio 2011

Jack Vidgen




Assisti ontem, no Youtube, ao vídeo de um garoto australiano de 14 anos que participou recentemente do Australia’s Got Talent cantando um sucesso de ninguém menos que Whitney Houston. Jack Vidgen já está sendo considerado por muitos a “nova Susan Boyle”. Há outros, no entanto, que preferem chamá-lo de o “novo Justin Bibier”. Comparações à parte, ele é uma raridade. Graças ao seu talento, deve ser notícia por um bom tempo ainda. Mas ele tem 14 anos. Isso significa que sua voz está em pleno e acelerado processo de mudança. Se já há quem o queira gravando um CD, é bom que o faça o mais rápido possível, ou não teremos o mesmo Vidgen do vídeo abaixo – poderá ser melhor ainda, quem sabe, mas igual ao de hoje não teremos. Lembro-me de Robin Schlotz, que também tinha 14 anos quando cantou a ária da “Rainha da Noite” num vídeo que eu já havia postado aqui, e que incluo neste artigo apenas para ilustrar a coincidência de idades. Shlotz, que hoje está com 18 ou 19 anos, jamais voltou a cantar a “Rainha da Noite”.








Cecília Bartoli - Sacrificium

O estilo é o mesmo das sonatas para flauta de Vivaldi. A dificuldade, também. Eu, que já me impressionara tanto com o virtuosismo de Michala Petri, principalmente por conseguir tocá-las numa flauta-doce (e não numa flauta transversa, como nas tradicionais gravações de Jean-Pierre Rampal e Aurele Nicolet), teria que me ajoelhar diante de alguém capaz de fazer o mesmo - mas com a própria voz! Estou sem palavras diante desta gravação de Cecilia Bartoli. É, talvez, a demonstração mais impressionante de virtuosismo vocal que eu conheço. Trata-se de seu álbum “Sacrificium” – uma obra feita para nos alegrar, mas também para nos fazer refletir a respeito da estupidez humana.



Esse álbum é ao mesmo tempo uma homenagem e um lamento, pois chega a ser inconcebível que, não faz tanto tempo assim, e em plena Europa civilizada, a mesma sociedade culta e sensível que frequentava as salas mais refinadas da Itália pudesse aceitar como normal a castração anual de cerca de 4000 jovens, só para que não perdessem suas vozes de soprano quando virassem adultos (a capa do álbum tenta ilustrar esse conceito - a cabeça de uma cantora, Bartoli, num corpo de homem). Não me surpreendo quando ela mesma diz que as árias desse álbum são “provavelmente as mais difíceis que eu já gravei” (ou seja, aquela ária de Haydn que eu mostrei aqui num outro post pode até ser considerada uma das mais difíceis do século XVIII, mas NÃO é a mais difícil que ela já cantou). Transportemo-nos, então, para os tempos de Farinelli (o mais famoso dos castratti), e tentemos imaginá-lo cantando essas mesmas árias. Todos os aplausos seriam insuficientes para recompensá-lo pelo talento e pelo sacrifício.

O vídeo abaixo começa com uma breve introdução ao referido álbum (com declarações da própria Bartoli), e segue (a partir dos 3’10’’) com a íntegra da ária “Cadro, ma qual te miro”, de Francesco Araia (dêem uma atenção especial para as sequências que começam aos 4’20’’ e aos 6’40’’):






14 janeiro 2011

Robin Schlotz canta A Rainha da Noite




A Rainha da Noite é uma ária tão difícil quanto arrebatadora. Já a mostrei aqui num outro post sobre a cantora Diana Damrau. No post de hoje, mostrarei a vocês mais uma interpretação da mesma ária. Não, não se trata de nenhuma performance inesquecível - muito menos algo que ponha em risco a supremacia daquela fabulosa soprano alemã. Mas acho que vocês concordarão comigo: o vídeo abaixo é digno de ser assistido. Robin Schlotz tinha quatorze anos por ocasião de sua gravação. Aos dezoito (quatro anos depois, portanto), já não deve ter mais a mesma voz, mas o registro dela, feito numa de suas apresentações como solista da Tölzer Knabenchor, esse ficará para sempre.






11 janeiro 2011

Diana Damrau - A Rainha da Noite




A ária “Der Hölle Rache” costuma ser o ponto alto de qualquer apresentação de A Flauta Mágica, de Mozart. Na única vez em que a assisti ao vivo, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, não foi diferente: a “Rainha da Noite” foi a mais aplaudida. Mas eu estou com Aaron Green: eu nunca havia visto uma interpretação como a do vídeo abaixo. Foi através de um artigo seu que tomei conhecimento desta extraordinária artista. Apreciem a sua apresentação (se quiserem, acompanhem a letra abaixo), mas assistam, também, ao segundo vídeo: ao que parece, alguém da gravadora para a qual Diana gravou esta ária pressentiu que a própria sessão de gravação poderia ser um show à parte – e estava certo.








Texto no original em alemão:

Der Hölle Rache kocht in meinem Herzen,
Tod und Verzweiflung flammet um mich her!
Fühlt nicht durch dich Sarastro Todesschmerzen,
So bist du meine Tochter nimmermehr.

Verstossen sei auf ewig,
Verlassen sei auf ewig,
Zertrümmert sei'n auf ewig
Alle Bande der Natur
Wenn nicht durch dich Sarastro wird erblassen!
Hört, Rachegötter, hört der Mutter Schwur!

Tradução para o português:

A Vingança do inferno arde em meu coração;
Morte e desespero queimam em torno de mim!
Se Sarastro não sentir as dores da morte por suas mãos,
Então nunca mais você será minha filha.

Renegada para sempre,
Abandonada para sempre,
Deixados serão para sempre
Todos os nossos vínculos naturais
Se Sarastro não for morto por você!
Ouvi, deuses da vingança, ouvi o juramento de uma mãe!

(fonte: wikipedia)


10 janeiro 2011

Cecilia Bartoli




Resolvi falar desta mezzo-soprano italiana porque o seu álbum “Sacrificium” é um dos indicados para o Grammy de Melhor Álbum Clássico de 2011. O título desse álbum é uma referência direta a um dos capítulos mais lamentáveis da história da música ocidental: em meados do século XVIII, cerca de 4000 meninos eram castrados todos os anos na Itália, só para que conservassem o registro de soprano mesmo depois de se tornarem adultos. Eram os famosos “castrati”. A combinação de cordas vocais delicadas com caixas toráxicas avantajadas num mesmo corpo sempre produziu timbres vocais muito apreciados pelas platéias. Bartoli, nesse CD, nos apresenta uma bela seleção das árias que fizeram parte do repertório de grandes “castrati” daquela época, compostas por grandes nomes como Handel, por exemplo. O primeiro dos três vídeos abaixo contem trechos desse álbum, além de uma entrevista com a cantora.

Mas eu queria mesmo era falar de Bartoli. Ela se destaca menos pelo timbre de sua voz do que pela técnica apuradíssima. Poucas pessoas neste mundo são (ou foram) capazes de produzir coloraturas tão límpidas como as que se ouve, por exemplo, nos dois últimos vídeos abaixo: no primeiro, ela canta uma das árias mais difíceis do século XVIII – Al tuo seo Fortunateo, da ópera Orfeu e Eurídice, de Haydn (composta em 1791); no outro, a vemos em ação na ária “Non piu mesta”, da ópera La Cenerentola, de Rossini.