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09 maio 2011

The Thor Soundtrack




Pessoal, o homem da foto não é Thor. É Patrick Doyle, compositor da trilha sonora de Thor. Em minha campanha pela valorização dos compositores, sugiro a todos que assistam ao filme nos cinemas (ou em casa, se preferirem) mas prestem atenção também à música. Ela é muito importante. Imaginem o mesmo filme sem música alguma – ou seja, só com os diálogos. Fica esquisito, não? E não se pode colocar qualquer música, não. Uma boa trilha sonora sempre é parte fundamental de qualquer narrativa em cinema de ficção. É ela que dá relevo às mensagens que o roteirista e o diretor do filme querem nos passar. É ela que nos faz entrar na pele das personagens, incorporar os seus sentimentos, isto é, medo, coragem, paz, ansiedade, ódio ou paixão.

Quando estiverem assistindo ao filme, e prestando bastante atenção à sua música, lembrem-se de que o autor, Patrick Doyle, também assinou a trilha sonora de outros 42 filmes – alguns muito conhecidos e badalados, como Harry Potter and the Globet of Fire (Harry Potter e o Cálice de Fogo), de 2005, e Eragon, de 1996. Desde 1989, quando compôs para “Henry V”, já foi indicado duas vezes ao Oscar (por Sense and Sensibility, de 1995, e Hamlet, de 1996) e ao Globo de Ouro (por Dead Again, de 1991, e por Sense and Sensibility, de 1995). É o responsável também pela música de outro filme cujo lançamento está previsto para 5 de agosto deste ano: Rise of the Planet of the Apes.

Confira todos os detalhes da trilha sonora de Thor – incluindo amostras de suas músicas – neste site.





20 abril 2011

100 compositores abaixo dos 40




A npr music disponibilizou uma coleção, montada a partir da indicação de seus ouvintes, contendo obras de jovens compositores da música erudita contemporânea. De um total de cerca de 800 indicações, chegou-se a uma lista com os 100 mais representativos - todos com idade inferior a 40 anos. De cada compositor, selecionou-se uma única obra, que foi encaixada numa sequência aleatória de músicas disponível neste site.

(fonte: npr music)




12 dezembro 2010

Sinfonia do Superman entre as indicadas ao Grammy

Michael Daugherty tirou a sorte grande nas indicações ao Grammy deste ano. Uma gravação da Nashville Symphony de duas de suas peças, “Metropolis Symphony” e “Deus Ex Machina”, está entre as cinco candidatas ao prêmio. Isto é particularmente impressionante dado que a Metropolis Symphony foi escrita no final dos anos 1980.

Daugherty diz que, quando ele escreveu a peça, a maioria dos compositores estava escrevendo música abstrata. “Às vezes, quando você compõe uma peça, ela pode estar um pouco à frente do seu tempo. E esse pode ter sido o caso [desta sinfonia]”, disse Daugherty. “Eu pensei que seria uma boa oportunidade de voltar no tempo, aos dias em que li aquela história em quadrinhos”.

Apesar da Metropolis Symphony ser inspirada no Superman, ele não foca exclusivamente no homem propriamente dito. “É sobre as pessoas à sua volta, o ambiente em torno dele”, diz o compositor. “Somente no final é que. com o ‘Red Cape Tango’ – a morte do Homem de Aço – nós olhamos diretamente para ele”.

O quarto movimento, “O, Lois!”, é uma referência a Lois Lane, a repórter colega e amada de Superman. É o mais rápido dos movimentos – de fato, a marcação do tempo nos compassos iniciais, “mais rápido que uma bala de revólver”, é também, talvez, a parte em que a composição mais se aproxima da atmosfera dos quadrinhos. Daugherty diz que buscou inspiração na pop art e em séries de televisão como a do Batman.

“Deveria haver um ‘crash’, ‘bang’, ‘boom’ – e deveria haver um desenho com esses dizeres”, diz Daugherty. “Eu o fiz com a percussão”.

Mais poderoso que uma locomotiva

A segunda metade da gravação apresenta uma composição mais recente de Daugherty, terminada em 2007, intitulada “Deus Ex Machina”. É essencialmente um concerto para piano que Daugherty diz ter sido fortemente influenciado por trens.

“Eu sempre fui fascinado por trens”, diz ele. “Quando eu morava em Cedar Rapids, Iowa, a janela do meu quarto, que ficava no segundo andar da casa, permanecia aberta durante a noite, o que me permitia sempre ouvir os trens que vinham apitando. Eu achei que isto poderia servir de tema para uma peça”.

O segundo movimento é sobre um trem específico: o trem de sete vagões que transportou o corpo de Abraham Lincoln. Ele começou o seu percurso em Washington, D.C., passando por várias cidades americanas até chegar ao seu destino em Illinois. Ao longo do caminho, centenas de milhares de pessoas viram o presidente assassinado.

“Aquele foi realmente o primeiro funeral itinerante de um presidente”, diz Daugherty. “Lincoln havia sido a pessoa que alocou recursos federais para a construção da malha ferroviária da América. Foi graças a esta sua visão como presidente que se desenvolveu o sistema nacional de trens”.

O primeiro minuto do movimento começa suavemente no piano e cresce gradualmente com as trompas e os carrilhões.

“No início da peça, o piano toca lentamente porque o trem está se movendo vagarosamente”, diz Daugherty. “Depois de algum tempo, passamos a ouvir, também, o barulho repetitivo das rodas sobre os dormentes”.

Daugherty sempre faz uma ampla pesquisa antes de cada peça que compõe. Para ter uma noção do que as pessoas devem ter sentido ao presenciarem a passagem do trem fúnebre, ele visitou Gettysburg, Pa, onde Lincoln fez seu discurso histórico.

“Eu caminhei pelas ruas de Gettysburg durante um dia inteiro”, diz Daugherty. “Estar naquele ambiente foi o bastante para que eu tivesse a inspiração para esse movimento”.

E a inspiração para a Metropolis Symphony? “Andar por Nova Iorque inspira qualquer um a escrever alguma coisa”.



(fonte: npr)

11 dezembro 2010

A Cantata BWV 1 de Bach

As siglas BWV derivam do “Bach Werke Verzeichnis” (Catálogo de Obras de Bach), publicado em 1950 por Wolfgang Schmieder. A numeração, em vez de seguir uma ordem cronológica, tenta agrupar as obras segundo os gêneros a que pertencem (fonte: wikipedia).

De qualquer forma, já que as obras catalogadas na BWV com numeração de 1 a 222 são as cantatas, poderíamos supor que a BWV 1 fosse a primeira das cantatas compostas por Bach. Mas não é o que ocorre. Veja o que diz Thomas Braatz sobre isso nesta análise:

Thomas Braatz wrote (March 26, 2001):
About the number 1 in BWV 1: No gematria, no numerology, no nothing!! It was a purely arbitrary choice. The BG had planned to publish as the opening work in the BG the B-minor Mass, but a Swiss publisher was still holding on to the autograph copy. If I read the detailed notes in the BGG I p. 1003 correctly, then BWV 1 (not known by that number, of course) was published in two separate parts (at different times) at the beginning of the 19th century. It may have been the first cantata ever to be published. In any case here is the definitive statement that explains what Aryeh wanted to know:

"Die durch BA (read this as BG) eingeführte Zählung der Kantaten ist willkürlich, aber allgemein gebräuchlich und auch von Neumann, 'Handbuch der Kantaten,' 1947, und von Schmieder BWV, 1950, beibehalten worden."

The numbering system introduced by the BG (1851) is completely arbitrary, but is generally used, and has been maintained by Neumann in his 'Handbook of the Cantatas', 1947 and by Schmieder, 1950, in the BWV numbering system that is used today.

Note that this cantata is from the second Leipzig cycle.

The original score of BWV 1 is lost, but we have the original parts copied under Bach's supervision and corrected by him. These parts are the primary source for determining the printed copy in the NBA. The voice parts look like this (sorry, no picture - just a description): (the sequence of numbers at the end indicated the number of staffs on each page)

Soprano part - one large double sheet containing 3 pages of actual musical notation 13, 13, 14, 13.

Contains mvts. 1, 3, 6 and tacet for all other movements

Alto part - one sheet with 2 pages notated 14, 13.

Contains mvts. 1 and 6 tacet for the rest

Tenor part - one large double sheet with 4 pages notated 13, 14, 14, 13.

Contains mvts. 1, 2, 5, 6 tacet for the rest

Bass part - one large double sheet with 3 pages notated 13, 14, 14, 13.

Contains mvts. 1, 4, 6 tacet for the rest

Looks like another point in favour of OVPP, or, at the most two looking at the same page.


Mais informações sobre esta e outras cantatas de Bach em http://www.bach-cantatas.com/.

Cantata BWV 1, de Johann Sebastian Bach – Amsterdam Baroque Orchestra & Choir – Ton Koopman:



A Décima Sinfonia de Schubert

A sinfonia mais conhecida de Franz Schubert é a Oitava, composta em 1822. Deram-lhe o nome de “Inacabada” porque Schubert só compôs os seus dois primeiros movimentos (a metade do que uma sinfonia típica costuma ter). A propósito, ninguém sabe até hoje porque ele deixou de compor os dois movimentos restantes, já que, nos seis anos seguintes (de 1823 a 1828, ano de sua morte), teve tempo para escrever ao menos mais uma sinfonia completa (a Nona) e ainda deixar fragmentos do que poderia ter sido a sua Décima Sinfonia.

Pois foi a partir desses fragmentos que Brian Newbould “compôs” a Décima Sinfonia de Schubert – um belíssimo trabalho, que pode ser apreciado no vídeo abaixo:




07 dezembro 2010

Epic Mickey - Compositores encaram novos desafios nos videogames




Para quem não se lembra (ou nunca foi muito fã de videogames), Pac-Man foi um dos jogos de maior sucesso na década de 1980. O objetivo dele era simples: comer todos os pontinhos ao longo de um labirinto, tomando cuidado para não ser ele próprio comido por fantasmas que o perseguem. A música do jogo também não era nada complexa. Hoje em dia, no entanto, a partitura da trilha sonora de um videogame é fator tão importante para o sucesso quanto o seu próprio enredo e a aparência gráfica.

Peguemos, por exemplo, a trilha sonora do novo videogame da Disney, o "Epic Mickey", que acabou de ser lançado pela Nintendo Wii. A sua música foi composta por Jim Dooley, que já havia trabalhado para alguns dos principais projetos da TV e do cinema ao longo dos últimos dez anos. Dooley nos contou que os modernos videogames oferecem desafios novos e interessantes aos compositores atuais.

"Não sabemos se o game será jogado por 20, 30 ou 40 horas", disse ele. "E isso faz uma diferença enorme. Fazer com que a música induza o jogador a experimentar emoções reais é o que torna essa tarefa mais desafiadora".

Os desenvolvedores do Epic Mickey queriam que a música se ajustasse às ações do herói do jogo, Mickey Mouse. Quando Mickey tivesse um bom comportamento, cumprindo missões e ajudando pessoas, a música deveria se tornar mais mágica e heróica.

"Ouve-se uma música bem mais brilhante, com predominância de instrumentos como flautas e oboés", diz Dooley.

A música se transforma quando Mickey fica mais pernicioso e destrutivo.

"Aí, ouve-se mais a clarineta baixo e os fagotes", diz Dooley. "Provavelmente, a parte mais difícil dessa tarefa é fazer com que a música flua com naturalidade, adaptando-se ao estilo do jogo".

Dooley fez um estudo detalhado do game antes de começar a compor. A Disney lhe deu acesso aos seus arquivos, nos quais ele encontrou um verdadeiro tesouro escondido, entre gravações que jamais foram publicadas, registros de ensaios e partituras orquestrais completas.

"Simplesmente ouvir aquelas músicas não dá uma idéia exata do nível de talento envolvido. Por isso foi tão empolgante ter visto as suas partituras".

Os vídeos abaixo contém, respectivamente, uma amostra da música de Epic Mickey e um trailer do game:





(fonte: npr)



04 dezembro 2010

Sir Peter Maxwell Davies

Sir Peter Maxwell Davies é, desde 2004, o compositor oficial da Rainha da Inglaterra, e foi incumbido de compor a música que será executada no casamento do Príncipe William, no próximo mês de abril.

Davies revelou que a música terá um "toque escocês", como referência ao lugar onde William e Kate se conheceram - a St Andrews University, a mais tradicional universidade da Escócia.

Aqui você poderá ler mais a seu respeito, e ouvir trechos de algumas de suas composições.

Além da música para o casamento do Príncipe William, Davies já antecipou que sua Nona Sinfonia será dedicada à Sua Majestade, e será tocada por ocasião de suas Bodas de Diamante, em 2012.

(fonte: musolife)

Descoberto grande investimento de J.S.Bach

Eberhard Spree, um contrabaixista da Leipzig Gewandhaus Orquestra, encontrou documentos bastante reveladores num dos arquivos do distrito de Freiburg.

Esses documentos referem-se a investimentos que Johann Sebastian Bach teria feito em uma mina de prata ao longo de seus últimos dez anos de vida. A imagem que se tinha do compositor, até então, era a de um funcionário municipal que vivia exclusivamente de seu trabalho como encarregado das atividades musicais da Igreja de São Tomás, em Leipzig. Pode ser que ele tenha sido mais esperto do que os estudiosos supunham.

Na foto, vemos Spree exibindo orgulhosamente o documento que encontrou.

(fonte: artsjournal)

Magdalena Kozena




Magdalena Kozena, nascida em 1973, é uma mezzo-soprano tcheca que chama a atenção não só pela beleza, mas pela técnica e pelo timbre singular de sua voz.

Mostrei, no post anterior, o manuscrito de um dos recitativos a cargo da personagem Cherubino, em As Bodas de Fígaro, de Mozart. Pois foi justamente este o papel que Kozena interpretou numa montagem recente dessa ópera.

Estreou em estúdios com uma gravação de árias de Bach, ainda na República Tcheca.

O vídeo abaixo é um "videoclipe" que, com inteligência e bom humor, tira partido da voz marcante de Kozena para criar uma historinha em que ela faz uma mulher tentando fraudar uma apresentação do seu filho, um solista infantil que está impossibilitado de cantar por causa de uma gripe, dublando-o na interpretação de uma ária da Cantata para a Festa da Natividade de São João Batista, BWV 30, de Bach (notem que a regência é do próprio autor...):






03 dezembro 2010

Os Manuscritos de Mozart

O que vemos abaixo é a segunda página dos manuscritos de Mozart com o recitativo que introduz a ária "Voi che sapete", cantada por Cherubino, em "Bodas de Fígaro":


Se quiser ver mais desses manuscritos de Mozart, clique aqui.

(fonte: Manuscritos de Mozart)

30 novembro 2010

Sala São Paulo - Camerata Antiqua de Curitiba e Coro da OSESP

O próximo concerto na Sala São Paulo já será uma preparação para o Natal que se aproxima


A Camerata Antiqua de Curitiba e o Coro da OSESP apresentarão obras de Bach, Camargo Guarnieri, Gerald Finzi e Saint-Saens. Haverá três oportunidades para vê-los: dias 2, 3 e 4 de dezembro (quinta e sexta às 21h00, e sábado às 16h30 - mais detalhes aqui).



Confesso que eu não conhecia a Camerata Antíqua de Curitiba, mas, pelo que vi no YouTube (e dada a grande tradição musical daquela cidade), é de se esperar que nos proporcione um belo espetáculo.

Sei o quanto se valoriza a Música naquelas paragens. Numa das poucas oportunidades em que passei por Curitiba, hospedei-me num hotel que dava para os fundos do Teatro Guaíra. Por sorte, havia um concerto da Orquestra Sinfônica do Paraná programado para aquela noite - uma oportunidade que eu não desperdicei. Guardo boas lembranças, também, de um dos lugares mais aprazíveis que eu já visitei na minha vida: o Bosque Alemão. È um lugar muito bonito, cercado (vejam só) por ruas com nomes de compositores clássicos (Schubert, Schumann, Mendelsohn, Richard Strauss, Mozart, Chopin, etc.). Se eu não me engano, foi lá, também, que eu visitei o Oratório Bach, construído em homenagem àquele que foi a "glória do barroco alemão e da Música Universal".

A programação está magnífica. Começa com Bach, de quem será apresentado o moteto “Lobet dem Herrn, alle Heiden”, BWV 230. Há evidências de que fazia parte de uma das muitas cantatas de Bach que continuam perdidas até hoje. Trata-se de um hino de agradecimento a Deus, baseado no texto do Salmo 117, e divide-se em 3 seções: uma animada Fuga com um tema alegre para as 2 primeiras linhas do Salmo, um tema calmo para as 2 seguintes, e o retorno ao mesmo tema alegre no Aleluia do final (fonte: http://www.bach-cantatas.com/VD/BWV230.htm).

Observem que, apesar do "acompanhamento" executado por alguns instrumentos de cordas (como o violino, a viola, etc.), não se pode afirmar que haja propriamente uma orquestração. Isso fica mais claro ao examinarmos a partitura: só há quatro partes escritas (Soprano, Alto, Tenor e Baixo), mas com a indicação de que podem ser executadas ou pelo coral, ou por um quarteto de cordas, ou por ambos. Prestem atenção à violinista, por exemplo: tudo o que ela toca é uma cópia exata do que as sopranos cantam. O mesmo vale para o segundo violino, que reproduz o canto das contraltos, e assim por diante. Os instrumentos, enfim, não acrescentam nenhuma nota nova às já entoadas pelo coral, mas conseguem, assim mesmo, dar a esse moteto uma sonoridade próxima à de obras orquestradas - como as cantatas, por exemplo.

Antes de assistirem ao vídeo abaixo, uma explicação: ele é somente um dos muitos que eu encontrei com esta música no YouTube. Não sei se quem o gravou preferiria estar numa posição mais central do auditório. O fato é que aproveitou muito bem as circunstâncias, conseguindo, inclusive, destacar a atuação dos principais músicos. Foi por esse motivo (e pela qualidade do som, que é o que mais nos interessa) que eu o escolhi.

Ah, e talvez fosse interessante acompanhar a música com a sua PARTITURA.

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)





Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) é provavelmente o segundo compositor brasileiro mais executado no mundo (só perde para Villa-Lobos). Dele, será apresentada a Missa Dilígite. No vídeo abaixo, ouve-se o “Sanctus” dessa Missa:



Gerald Finzi foi um compositor britânico do século XX (1901-1956). É dele esta “In Terra Pax”, que está no concerto:



De Camille Saint-Saens, será apresentado o Oratório de Natal, Op.12:



29 novembro 2010

Tárrega – Partituras para Violão

Trago hoje algumas obras de Francisco Tárrega, compositor espanhol do século XIX, dos mais importantes para o desenvolvimento da técnica e repertório violonísticos (observem na foto o posicionamento de sua mão direita, em ângulo reto - Tárrega foi o introdutor dessa postura).

São três partituras, uma tablatura, três vídeos e duas curiosidades.

Vamos às obras:

Partitura de “Recuerdos de la Alhambra” (parte do violão)

Partitura de “Reverie”, de Schumann (transcrição de Francisco Tárrega para o violão)

Partitura da "Gran Vals"

Sugiro, também, um site com a tablatura de “Recuerdos de la Alhambra”.

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)

Ouçamos duas de suas obras. Primeiro, esta bela execução de Recuerdos de la Alhambra (as imagens foram geradas pelo software Musanim):



A segunda obra é a primeira das duas curiosidades de que falei: trata-se da Gran Vals. É a obra mais conhecida de Tárrega (por conta de um pequeno trechinho dela que ficou conhecido mundo afora como o “Nokia Ringtone”):



Por fim, a segunda curiosidade: no terceiro vídeo (abaixo), temos uma Fuga sobre o Tema da Nokia (que, na realidade, é de Tárrega) - as imagens foram geradas também pelo software Musanim:



27 novembro 2010

Richard Grayson




Já ouviram falar nele? Outro dia, assisti a um vídeo desse pianista (o da foto ao lado, em que aparece alguns anos mais jovem). Nele, Grayson fazia uma brincadeira divertidíssima: alguém da platéia lhe passava um pedaço de papel com o nome de uma música qualquer e o estilo em que ele deveria tocá-la. Grayson lia o papel, sentava-se ao piano, pensava um pouco e... começava a tocar, por exemplo, um “Girl of Ipanema” ao estilo de Beethoven. Divertidíssimo. Da platéia, choviam mais e mais sugestões, cada uma mais esdrúxula que a outra – do tipo “A Cavalgada das Valquírias no estilo de um tango”, ou “La Cucaracha ao estilo de Prokofiev”, e assim vai.

Isso pode parecer um tanto circense, mas Grayson é tão bom no que faz, e o faz com tanta facilidade, que nos incute um amor ainda maior pela Arte da Música. Quando assistimos a uma performance de Gould, de Rubinstein, de Pollini, ou de qualquer outro grande pianista, somos levados a crer que a musicalidade deles não vai muito além da capacidade de ler e memorizar extensas e complexas partituras, e de tocá-las com surpreendente desenvoltura. O que Grayson nos mostra é que o grande músico é muito mais do que isso. Ele é capaz de produzir não somente a música que está escrita, ou que ele memorizou, mas a que toca em seu cérebro naquele momento! Uma vez, falei de uma coisa chamada “ouvido interno”, algo que todo compositor acaba adquirindo com a experiência, e que explica o aparente milagre das obras que Beethoven compôs quando já estava completamente surdo. Pois junte-se essa capacidade de “compor internamente” uma música com a de materializá-la instantaneamente, e teremos um Mozart (já viram aquela famosa cena de “Amadeus” em que ele improvisa sobre um tema de Salieri?).

Abaixo, uma pequena lista de vídeos em que Grayson delicia o público com sua capacidade de parodiar qualquer música em qualquer estilo que lhe for solicitado:









E, se procurarem no YouTube, ainda encontrarão:

. Toque da Nokia (telefone celular) no estilo de uma galliard renascentista
. Singing in the Rain ao estilo de Wagner
. Tema dos Muppets no estilo de uma fuga de Bach
. A Cavalgada das Valquírias no estilo de um tango
. A Nona de Beethoven no estilo de um tango
. La Cucaracha ao estilo de Prokofiev
. A Garota de Ipanema ao estilo de Poulenc
. Take the A Train no estilo da Marcha Fúnebre de Chopin
. etc, etc, etc...

Mas Grayson é, também, compositor dos mais respeitados. Quando não está divertindo uma audiência (e a si próprio), direciona sua inventividade para obras originalíssimas. É o caso da música abaixo, que precisa ser ouvida e vista ao mesmo tempo:



E já que falei sobre paródias, deixe-me sair um pouquinho de Grayson para falar de um outro músico muito famoso: Dudley Moore. Na verdade, ele fez sua fama como comediante, mas é, também, pianista e compositor. No vídeo abaixo, Moore interpreta uma peça bem ao estilo das sonatas de Beethoven, mas usando um conhecido tema do filme "A Ponte Sobre o Rio Kwai". A diferença é que, neste caso, não se trata de improviso. Mas é muito engraçado assim mesmo:





Encontrada obra inédita de Myslivecek – o compositor tcheco que influenciou Mozart




Concerto escrito por um compositor considerado uma das influências musicais de Mozart será apresentado na Inglaterra

A flautista australiana Ana de la Vega apresenta-se no London’s Cadogan Hall com a Orquestra de Câmara Inglesa, tocando o Concerto para Flauta em Ré Maior de Myslivecek, cuja partitura ela mesma encontrou na biblioteca da Orquestra Filarmônica Janacek.

“Estou tão feliz por ter encontrado esta peça”, diz de la Vega. “A forte conexão entre Myslivecek e Mozart é evidente na música. Há todas aquelas borbulhas, amor pela vida e êxtase típicos de Mozart”.

Myslivecek encontrou-se com Mozart e seu pai Leopold em 1770, dando início a uma amizade que durou uns bons oito anos, como provam as constantes referências ao compositor tcheco nas correspondências trocadas entre Wolfgang e Leolpold. Pensa-se, inclusive, que o jovem Mozart teria se baseado no “Nitteti” de Mylivecek para escrever sua primeira ópera séria, “Mitridate”.

A imagem abaixo é da primeira página da partitura de um trio escrito por Mylivesek (clique nela para aumentá-la).



(Mais informações: bbcmusicmagazine)

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)




26 novembro 2010

Sala São Paulo – Concertos Gratuitos (Banda Jovem do Estado)

Banda Jovem do Estado, Prokofiev, Rick Wakeman, Walt Disney... O que todos eles têm em comum?

Quando soube qual era o programa da série Concertos Matinais desse próximo domingo (dia 28 de novembro, às 11 da manhã, na Sala São Paulo), e qual era a orquestra que iria tocá-lo, senti-me compelido a escrever algo a respeito. É que eu sou grande admirador do trabalho que a Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo vem fazendo. Considero-os simplesmente sensacionais. E vocês entenderão o porquê quando assistirem ao mesmo vídeo através do qual eu os conheci:



O vídeo acima foi postado no YouTube por Roberto Lopes Teixeira. Roberto declara-se fã de rock progressivo (principalmente Rick Wakeman, Yes, Genesis, ELP, etc.), e, por ter ficado tão ou mais impressionado do que eu com a qualidade artística dessa Banda Jovem, resolveu divulgá-la. Fez muito bem.

Mas, no programa deste domingo, a Banda Jovem do Estado não tocará nenhum clássico do rock, e sim obras de Sergei Prokofiev. Mas, quem é, afinal, esse tal de Prokofiev?

A obra mais conhecida de Sergei Prokofiev é, de longe, a música que ele fez em 1936 para a história de "Pedro e o Lobo" (imortalizada, depois, num desenho animado de Walt Disney). É fruto de uma encomenda que as autoridades culturais de Moscou lhe fizeram, com o intuito de desenvolver o gosto pela música clássica em todas as crianças na idade escolar. O vídeo abaixo é da animação que Disney fez para “Pedro e o Lobo”, integralmente montada a partir da obra homônima de Prokofiev:



Ah, eu esqueci de dizer que, além de amante da Música, sou cinéfilo. E isso tem tudo a ver com Prokofiev. Alexander Nevsky, por exemplo (que será tocada neste domingo), é uma cantata composta em 1938 especialmente para um filme de Sergei Eisenstein. No vídeo abaixo, pode-se ouvir o início dessa cantata ao mesmo tempo em que imagens desse filme são exibidas. Serve como prévia do que se ouvirá na Sala São Paulo:



Música e Astronomia - Sir William Herschel

Sir William Hershel (1738-1822) é mais conhecido como o astrônomo que descobriu o planeta Urano. Descobriu, também, duas de suas luas (Titania e Oberon), duas das de Saturno, além de cometas e nebulosas. Como se não bastasse, descobriu, também, a radiação infravermelha. Sua importância para o desenvolvimento da Astronomia foi tão grande que um dos melhores telescópios do mundo foi batizado em sua homenagem.

Mas o que quase ninguém sabe é que Herschel, além de cientista, foi compositor – e levava esse seu lado muito a sério: chegou a escrever vinte e quatro sinfonias!

Pois é dessa sua faceta artística que eu pretendo falar hoje (sobre a sua faceta “científica” eu sugeriria a leitura de um artigo sobre ele na Wikipédia).

Alguém poderia cair na tentação de dizer que Herschel, como compositor, foi um ótimo astrônomo. Eu também cheguei a pensar nisso, mas mudei de idéia depois de ouvir algumas de suas sinfonias. Fiquei agradavelmente surpreso. Muitos cairão em outra tentação: a de confrontar a qualidade de suas obras com as de um outro compositor, cerca de 18 anos mais jovem, chamado Wolfgang Amadeus Mozart. Se fizeram essa maldade com Salieri, que também viveu na mesma época, porque não o fariam com um ilustre desconhecido (musicalmente, ao menos) como Herschel? O problema é que a genialidade de Mozart ofusca de tal forma os seus contemporâneos que tendemos a vê-los num patamar muito inferior ao que realmente ocupam. Herschel, portanto, pode não ter sido um Mozart, mas esteve longe de ser um músico medíocre, como atestam as sinfonias que deixou para a posteridade.

O primeiro vídeo mostra o primeiro movimento de sua oitava sinfonia. O YouTube tem muito mais, se por acaso gostarem. O segundo vídeo, eu selecionei mais por mera curiosidade: é uma breve explicação de como Herschel descobriu a luz infravermelha, e faz parte de um documentário maior da BBC sobre o descobridor de Urano. O terceiro é, também, só uma curiosidade: trata-se da mesma música do primeiro, só que numa versão “rock” (na verdade, uma mera tentativa, já que não se deram ao trabalho de acrescentar nada além de uma bateria).






25 novembro 2010

Mini-Mozart: Edward Tomanek, de sete anos, é o mais jovem compositor da Inglaterra

De vez em quando, surgem notícias animadoras como essa que eu li hoje.

Seria mesmo verdade que uma criança de apenas sete anos estaria compondo peças eruditas? Seria essa criança um novo “Mozart”? A manchete do Daily Mail não deixa margem a dúvidas: “Criança prodígio torna-se o mais jovem compositor da Inglaterra aos sete anos!”.



Essa criança se chama Edward Tomanek. Este ano, Tomanek graduou-se em piano e violino (depois de apenas quatro anos de estudos!), obtendo grau 8 nos respectivos exames. Agora, resolveu estudar órgão, e já começou a praticar no instrumento de uma igreja da vila em que vive com os pais, em Somersham, Cambridgeshire. Mas tudo indica que ele não vai parar por aí. Tomanek confessa que adora compor. A reportagem, entretanto, não deixa claro se ele realmente estudou para isso, ou se compõe baseado apenas no que aprendeu com os instrumentos.

Saí, então, à caça de algum vídeo em que pudéssemos vê-lo tocando qualquer coisa, mas não encontrei nada. Deparei-me com o de uma menina americana que, também aos sete anos, venceu um concurso de jovens talentos da ASCAP, em 2008. Chama-se Emily Bear. Eu diria que ela é mesmo impressionante. Vejam-na, no vídeo abaixo, executando uma peça de sua autoria.

Obs: De qualquer forma, não foi desta vez que Mozart perdeu o trono - já que começou a compor aos cinco anos, e com onze já compunha com tal desenvoltura que, para convencer o príncipe-arcebispo de que não se tratava de uma fraude, aceitou escrever uma “Paixão de Cristo” sozinho numa sala vigiada. Um milagre, realmente.






24 novembro 2010

Compositores na Cozinha – Arnold Schoenberg

Na gravura ao lado, Arnold Schoenberg parece não estar muito feliz - mesmo diante de seu bolo de aniversário.

O ano era 1934, e o compositor tinha acabado de se mudar para Los Angeles. Você deve estar se perguntando: que motivo ele teria para não estar feliz? Para começar, um ano antes, Schoenberg havia sido obrigado a abandonar o cargo que ocupava na Academia de Artes Prussianas em Berlin, antevendo, então, o que viria a ocorrer com a Alemanha quando os oficiais nazistas começaram a expulsar os judeus da Escola.

E então vieram os problemas de saúde. Quando Schoenberg e sua família chegaram aos Estados Unidos, desembarcaram em Boston, onde o inverno rigoroso agravou a sua asma.

Mas aqui está ele, comemorando os seus 60 anos em Los Angeles com a família e alguns poucos amigos, mas preocupado com o agravamento da situação que deixou para trás sob o regime nazista.

A despeito de tudo, uma grande variedade de bebidas e guloseimas compuseram a mesa de Schoenberg. Abaixo, Dika Newlin, um de seus alunos de composição, rememora os eventos daquela tarde, 13 de setembro de 1934:

Cerca de uma hora após nossa chegada, começaram os comes e bebes. Havia farta quantidade de café com chantilly, seis ou sete tipos de sanduíches de queijo, lingüiça de fígado e outros quitutes tais como: pratos repletos de pastéis, bolo de café, bolo de chocolate com passas, bolo de pêssego e bolo de laranja.

Isto, acredite, era apenas o começo. A festa mesmo, o jantar de aniversário, nem tinha começado ainda. Nem as bebidas principais. Depois de comer tanta coisa boa, voltamos para o quintal.

Nesse momento, a parte essencialmente musical da noite foi interrompida com a chegada de mais pastéis, uma garrafa de uísque Black and White (uma de várias que foram trazidas muito a propósito pelo velho homem em homenagem ao seu grande dia) e alguns copos. Eu provei um pouco – muito pouco – do uísque, mesmo depois de forte reprimenda do Tio Arnold. Mas aí... eis que a ceia está na mesa!

Avancei sobre travessas de chucrutes adoçados, salsichões, batatas assadas, salames, salada de camarão, pão de centeio, anchovas - tudo fartamente regado com vinho tinto. E então veio o bolo de aniversário - e o velho homem, miraculosamente, apagou a velinha num único sopro. Depois de Nuria ter tocado o “Parabéns” no seu violino, e de Ronnie ter cantado um pouco fora do tom, mais uma rodada de vinho foi servida... e um grande Apfelstrudel (torta de maçãs) fez a sua entrada triunfal.


Agora, entre todas as "ameaças" listadas acima, aquela torta de chocolate com passas soa bastante tentadora. Quem sabe o quanto Schoenberg realmente a achou apetitosa... Mas aqui está uma receita contemporânea (de Cooks.com), para que você mesmo a faça.

(NT: desculpe-me, mas a receita eu não vou traduzir: é muita responsabilidade. Se eu tivesse ao menos o assessoramento de algum confeiteiro, tudo bem. Não entendendo nada de culinária, corro o risco de não ser suficientemente preciso na tradução e vocês prepararem algo muito distante de uma torta de chocolate com passas. Sugiro que "saciem" a sua curiosidade visitando o site com essa história acima e a receita, ambas em inglês. E bom apetite!)

P.S.: Faltou dizer que o autor termina o seu artigo sugerindo que "a grande variedade de comes e bebes" da festa de aniversário de Schoenberg poderia muito bem ter sido “complementada" com a audição de “Friede auf Erde”:




23 novembro 2010

Procura-se: manuscritos de Vivaldi




Já tinha noticiado aqui sobre a surpreendente descoberta dos manuscritos de duas sonatas inéditas de Vivaldi, que estavam num portfolio doado ao Foundling Museum, perdidos em meio a 180 páginas de partituras de outros compositores. Agora estou sabendo que, pouco antes disso, já haviam encontrado os manuscritos de uma outra obra inédita do mesmo compositor, desta vez nos Arquivos Nacionais da Escócia: um concerto para flauta intitulado Il Gran Mogol. Na verdade, esse concerto é apenas um dos quatro de um mesmo grupo que havia se perdido. Os outros três continuam desaparecidos – espera-se que nas mãos de algum colecionador que pretenda, mais tarde, doá-los a algum museu.

(fonte: Guardian).


(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)





21 novembro 2010

Beatles já estão no Top 100 do iTunes

Os Beatles quebraram a barreira do top 100 do iTunes no mesmo dia em que seu catálogo tornou-se disponível para download.

Nesta quinta-feira, os Beatles finalmente aderiram à revolução digital, disponiblizando as suas músicas para download através da loja do iTunes, da Apple.

No momento, há 11 canções deles entre as 200 mais. Hey Jude é a mais bem colocada, ocupando a posição 84.

Faixas individuais estão disponíveis por 0,99, e podem ser copiadas para um iPhone, iPad ou outro tocador MP3. Os fãs podem também comprar e baixar álbuns inteiros, incluindo textos, arte-final e mesmo vídeos em que os Quatro Fabulosos se apresentam.

(veja o resto desse artigo e o vídeo da reportagem no telegraph)