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31 maio 2011

Viva Roger Williams!

Meus amigos, começo este post falando da entrevista que Maurício Manieri deu para o Jô Soares, em seu programa de quarta-feira passada. “Como assim, Jô Soares e Maurício Manieri?!” Calma que eu já chego lá.

O Manieri (acho que poucos sabem) não é só cantor e compositor – digo isso principalmente aos que só se lembram dele por sua participação no reality show “A Fazenda”. Ele é bem mais do que isso. Uma rápida consulta na Wikipedia nos revela um músico talentoso, com boa formação pianística, e que já foi inclusive tecladista de importantes bandas e artistas nacionais e internacionais. Mas voltemos à tal entrevista. Lá pelas tantas, Manieri comentava o “cagaço” que tem de cemitérios, quando se lembrou da viagem que ele e sua mulher fizeram a Paris, onde visitou o Pére-Lachaise, maior cemitério daquela cidade. Disse ao Jô que tem pavor de lugares como aquele, mas abriu uma exceção porque queria visitar o túmulo de Chopin. Não há dúvidas de que Manieri gosta realmente de Chopin: além de ouvir suas obras, também as toca. E foi aí que eu me surpreendi: ele podia ter tocado qualquer coisa simples do grande mestre polonês (um prelúdio, por exemplo), mas optou por um trecho do Estudo Opus 10 no.12 - o famoso “Estudo Revolucionário”. E é aí que eu chego a Roger Williams, porque toda vez que ouço esse Estudo eu me lembro do momento em que o ouvi pela primeira vez. Eu ainda era criança, mas me lembro perfeitamente de quando meu pai chegou em casa com um álbum desse pianista e o colocou no toca-discos. O álbum era o “Love Theme from GodFather” (Love Theme from "The Godfather" (Kapp KS3665, 1972)), e a faixa que mais me impressionou foi exatamente a em que ele toca uma versão do tal Estudo de Chopin.

Aí, pensei: “por que não falar sobre isso em meu próximo post?” Para começar, então, fiz uma rápida pesquisa. A primeira coisa que descobri sobre Roger Williams foi que ele tem um site oficial – e que está vivo. “Que bom”, pensei. Está com 86 anos (como o tempo passa!), mas continua dando os seus “concertos” (ele tem até a sua própria orquestra, que o acompanha em todos os shows).

Mas eis que vejo a seguinte mensagem num dos cantos de sua página oficial: “Clck Here to Read a SPECIAL NOTE FROM ROGER WILLIAMS”. Uma nota especial? O que seria? Nessa nota (datada de março deste ano), Williams revela que está com câncer no pâncreas. O prognóstico não é nada animador. Roger, no entanto, diz que não se abateu, que está decidido a lutar contra a doença, e que quer compartilhar essa luta com o seu público, que é quem, em sua opinião, permitiu que ele tivesse vivido até hoje fazendo o que mais gosta, ou seja, tocando piano. Além disso, diz que não pretende cancelar os shows já programados (incluindo o comemorativo ao seu 87º aniversário, em 1 de outubro). Paralelamente, fará um tratamento quimioterápico, numa tentativa de reduzir o tumor até que este possa ser retirado cirurgicamente. Sorte para ele! (coloquei uma tradução de sua nota no final deste post)

Roger Williams talvez seja mais conhecido entre nós, brasileiros, (e principalmente entre os mais jovens) por uma música apenas: o tema do filme “Em Algum Lugar do Passado” (“Somewhere in Time”). A música é de John Barry. Mas é Williams quem a toca – eu coloco essa informação em destaque porque é assim que ela aparece nos créditos do filme. O vídeo abaixo contem a gravação “oficial”, ou seja, a que foi utilizada no filme e, portanto, inserida no álbum de sua trilha sonora:



Já no vídeo abaixo, o vemos numa apresentação ao vivo no Crystal Cathedral, em outubro de 2009. Fazia só três dias que ele tinha completado 85 anos de idade. Aqui, ele toca duas músicas interligadas: “The Rose” e, mais uma vez, “Somewhere in Time”:



Até 2004, Roger Williams já havia lançado 116 álbuns. Uma carreira e tanto, sem dúvida. Praticamente não há tema de filme romântico que ele não tenha gravado. Citarei apenas um: “Memories”, do filme “The Way We Were” (O Nosso Amor de Ontem), estrelado por Robert Redford e Barbra Streisand. A sua versão para essa belíssima melodia costumava tocar muito nas rádios FM daquela época, de tal modo que eu já a conhecia (e admirava) quando esse filme foi exibido na televisão, em 1982:



Um tema mais antigo ainda: Three Coins in the Fountain:



Infelizmente, não achei uma única gravação de sua interpretação do Estudo Revolucionário de Chopin. Ainda tenho o vinil, mas seria necessário digitalizá-lo e disponibilizá-lo no YouTube – quem sabe um dia eu não o faça? Mas tem essa interpretação de Valentina Lisitsa:



De qualquer forma, uma boa amostra do seu talento, em minha opinião, está aqui, no álbum The Solid Gold Steinway:



E nesse Claire de Lune, de Debussy:



Há, também, esta pequena amostra de Zorba, o Grego:

(amazon.com)

Para terminar, eis uma tradução de sua nota:

Quem lhes fala aqui é Roger Williams. Podem me chamar de Rog. Por mais de 50 anos, amigos como você me deram a vida com a qual eu sempre sonhei. Permitiram que eu fizesse o que eu sei fazer melhor – tocar a música do meu coração. E também compraram meus discos e CDs, e foram aos meus concertos. Talvez nem tenha sido você, mas seus pais ou avós. Mesmo assim, agradeço a todos, do fundo do meu coração.

Já que devo a minha carreira a vocês, é com vocês que eu sempre tento ser aberto e franco. É por isso que decidi compartilhar com vocês as notícias que eu acabei de receber. Estou com câncer – câncer pancreático. E isso, como eles dizem, “não é nada bom”.

Os médicos descobriram um tumor maligno no meu pâncreas. Não dá para removê-lo por causa do seu tamanho. Por isso, comecei hoje mesmo uma quimioterapia.

E o que isso tudo significa? Significa que estou em mais uma luta – a luta pela minha vida. E de luta eu entendo: este velho campeão de boxe da Marinha está indo para o tudo ou nada. Esperem por mim!

Sei que há um bocado de gente por aí travando a mesma batalha – ou que tem algum ente querido ou amigo ou vizinho na mesma situação. Estamos todos juntos nessa. Afinal, devemos lutar ou nos deitarmos à espera da morte?

Tenho um concerto marcado para este domingo em Sun City, em Palm Desert. Acreditem: estarei lá com todos os meus grandes músicos. Se este for o meu último concerto, prometo que ao menos será grande! Além disso, não vou cancelar nenhum dos meus futuros concertos, incluindo o “Vegas, the Rocky Mountain PBS Special”, o “Piano Marathon”, e um concerto extraordinário para o meu 87º aniversário no “ISU”, da Marinha. Depois desse concerto no domingo, é seguir em frente, e continuar a quimioterapia com os melhores médicos deste mundo até que o tumor esteja pequeno o suficiente para ser extirpado.

A vida certamente tem seus altos e baixos, e, francamente, às vezes a gente é pego completamente desprevenido. Mas já estou me recuperando. Espero vê-los no meu próximo concerto. Venha aos bastidores para um grande abraço.

09 maio 2011

The Thor Soundtrack




Pessoal, o homem da foto não é Thor. É Patrick Doyle, compositor da trilha sonora de Thor. Em minha campanha pela valorização dos compositores, sugiro a todos que assistam ao filme nos cinemas (ou em casa, se preferirem) mas prestem atenção também à música. Ela é muito importante. Imaginem o mesmo filme sem música alguma – ou seja, só com os diálogos. Fica esquisito, não? E não se pode colocar qualquer música, não. Uma boa trilha sonora sempre é parte fundamental de qualquer narrativa em cinema de ficção. É ela que dá relevo às mensagens que o roteirista e o diretor do filme querem nos passar. É ela que nos faz entrar na pele das personagens, incorporar os seus sentimentos, isto é, medo, coragem, paz, ansiedade, ódio ou paixão.

Quando estiverem assistindo ao filme, e prestando bastante atenção à sua música, lembrem-se de que o autor, Patrick Doyle, também assinou a trilha sonora de outros 42 filmes – alguns muito conhecidos e badalados, como Harry Potter and the Globet of Fire (Harry Potter e o Cálice de Fogo), de 2005, e Eragon, de 1996. Desde 1989, quando compôs para “Henry V”, já foi indicado duas vezes ao Oscar (por Sense and Sensibility, de 1995, e Hamlet, de 1996) e ao Globo de Ouro (por Dead Again, de 1991, e por Sense and Sensibility, de 1995). É o responsável também pela música de outro filme cujo lançamento está previsto para 5 de agosto deste ano: Rise of the Planet of the Apes.

Confira todos os detalhes da trilha sonora de Thor – incluindo amostras de suas músicas – neste site.





07 dezembro 2010

Epic Mickey - Compositores encaram novos desafios nos videogames




Para quem não se lembra (ou nunca foi muito fã de videogames), Pac-Man foi um dos jogos de maior sucesso na década de 1980. O objetivo dele era simples: comer todos os pontinhos ao longo de um labirinto, tomando cuidado para não ser ele próprio comido por fantasmas que o perseguem. A música do jogo também não era nada complexa. Hoje em dia, no entanto, a partitura da trilha sonora de um videogame é fator tão importante para o sucesso quanto o seu próprio enredo e a aparência gráfica.

Peguemos, por exemplo, a trilha sonora do novo videogame da Disney, o "Epic Mickey", que acabou de ser lançado pela Nintendo Wii. A sua música foi composta por Jim Dooley, que já havia trabalhado para alguns dos principais projetos da TV e do cinema ao longo dos últimos dez anos. Dooley nos contou que os modernos videogames oferecem desafios novos e interessantes aos compositores atuais.

"Não sabemos se o game será jogado por 20, 30 ou 40 horas", disse ele. "E isso faz uma diferença enorme. Fazer com que a música induza o jogador a experimentar emoções reais é o que torna essa tarefa mais desafiadora".

Os desenvolvedores do Epic Mickey queriam que a música se ajustasse às ações do herói do jogo, Mickey Mouse. Quando Mickey tivesse um bom comportamento, cumprindo missões e ajudando pessoas, a música deveria se tornar mais mágica e heróica.

"Ouve-se uma música bem mais brilhante, com predominância de instrumentos como flautas e oboés", diz Dooley.

A música se transforma quando Mickey fica mais pernicioso e destrutivo.

"Aí, ouve-se mais a clarineta baixo e os fagotes", diz Dooley. "Provavelmente, a parte mais difícil dessa tarefa é fazer com que a música flua com naturalidade, adaptando-se ao estilo do jogo".

Dooley fez um estudo detalhado do game antes de começar a compor. A Disney lhe deu acesso aos seus arquivos, nos quais ele encontrou um verdadeiro tesouro escondido, entre gravações que jamais foram publicadas, registros de ensaios e partituras orquestrais completas.

"Simplesmente ouvir aquelas músicas não dá uma idéia exata do nível de talento envolvido. Por isso foi tão empolgante ter visto as suas partituras".

Os vídeos abaixo contém, respectivamente, uma amostra da música de Epic Mickey e um trailer do game:





(fonte: npr)



29 novembro 2010

Tributo a Leslie Nielsen (1926-2010)

Morreu ontem, nos EUA, o ator canadense Leslie Nielsen

Nielsen virou celebridade pelas comédias que estrelou a partir de 1980 (Corra que a Polícia Vem Aí, Apertem os Cintos que o Piloto Sumiu, etc.).

Do YouTube, selecionei o vídeo abaixo, com cenas de um dos filmes mais marcantes de sua longa carreira: “The Poseidon Adventure” (O Destino do Poseidon), de 1972. Numa película estrelada por grandes atores, como Gene Hackmann, Ernest Borgnine, Roddy McDowall e Shelley Winters (indicada para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante), Nielsen interpretou o comandante do navio (Capitão Harrison), e é o primeiro a aparecer no vídeo (aos 0’30’’).

A canção de fundo é uma das mais belas já feitas para o cinema – "The Morning After" (Oscar de Melhor Canção Original, composta por Al Kasha e Joel Hirschhorn, e interpretada por Maureen Mcgovern).

(fonte: g1)



Cifras para "The Morning After"

Letra para "The Morning After"
(Canção Tema do Filme "O Destino do Poseidon")

There's got to be a morning after
If we can hold on thru the night
We have a chance to find the sunshine
Let's keep on looking for the light.

Oh can't you see the morning after?
It's waiting right outside the storm
Why don't we cross the bridge together
And find the place that's safe and warm.

It's not too late, we should be giving
Only with love can we climb
It's not too late, not while we're living
Let's put our hands out in time.

There's got to be a morning after
We're moving closer to the shore
I know we'll be there by tomorrow
And we'll escape the darkness
We won't be searching anymore.

There's got to be a morning after
(There's got to be a morning after)
There's got to be a morning after
(There's got to be a morning after)
There's got to be a morning after
(There's got to be a morning after)
There's got to be a morning after
(There's got to be a morning after)
There's got to be a morning after
(There's got to be a morning after)
There's got to be a morning after
(There's got to be a morning after).


26 novembro 2010

Sala São Paulo – Concertos Gratuitos (Banda Jovem do Estado)

Banda Jovem do Estado, Prokofiev, Rick Wakeman, Walt Disney... O que todos eles têm em comum?

Quando soube qual era o programa da série Concertos Matinais desse próximo domingo (dia 28 de novembro, às 11 da manhã, na Sala São Paulo), e qual era a orquestra que iria tocá-lo, senti-me compelido a escrever algo a respeito. É que eu sou grande admirador do trabalho que a Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo vem fazendo. Considero-os simplesmente sensacionais. E vocês entenderão o porquê quando assistirem ao mesmo vídeo através do qual eu os conheci:



O vídeo acima foi postado no YouTube por Roberto Lopes Teixeira. Roberto declara-se fã de rock progressivo (principalmente Rick Wakeman, Yes, Genesis, ELP, etc.), e, por ter ficado tão ou mais impressionado do que eu com a qualidade artística dessa Banda Jovem, resolveu divulgá-la. Fez muito bem.

Mas, no programa deste domingo, a Banda Jovem do Estado não tocará nenhum clássico do rock, e sim obras de Sergei Prokofiev. Mas, quem é, afinal, esse tal de Prokofiev?

A obra mais conhecida de Sergei Prokofiev é, de longe, a música que ele fez em 1936 para a história de "Pedro e o Lobo" (imortalizada, depois, num desenho animado de Walt Disney). É fruto de uma encomenda que as autoridades culturais de Moscou lhe fizeram, com o intuito de desenvolver o gosto pela música clássica em todas as crianças na idade escolar. O vídeo abaixo é da animação que Disney fez para “Pedro e o Lobo”, integralmente montada a partir da obra homônima de Prokofiev:



Ah, eu esqueci de dizer que, além de amante da Música, sou cinéfilo. E isso tem tudo a ver com Prokofiev. Alexander Nevsky, por exemplo (que será tocada neste domingo), é uma cantata composta em 1938 especialmente para um filme de Sergei Eisenstein. No vídeo abaixo, pode-se ouvir o início dessa cantata ao mesmo tempo em que imagens desse filme são exibidas. Serve como prévia do que se ouvirá na Sala São Paulo:



18 maio 2009

TEMA DE "O MARINHEIRO POPEYE"




Bill Piburn preparou este arranjo para violão do conhecidíssimo Sailor's Hornpipe (tema de O Marinheiro Popeye). Clique AQUI para obter o pdf com a partitura e a tablatura, e AQUI para simplesmente ouvir (para baixar o MP3, clique com o botão direito do mouse e selecione "Salvar Destino Como...").

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)