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06 julho 2011

Roger Williams – Girl from Ipanema




Essa interpretação de Garota de Ipanema foi disponibilizada recentemente no YouTube. Achei que não poderia deixar de mencioná-la aqui, principalmente depois de tudo o que escrevi num artigo anterior sobre Roger Williams. Espero que apreciem.




11 junho 2011

Gershwin Piano Quartet no Teatro Municipal do Rio




Para a apresentação do magnífico grupo suíço Gershwin Piano Quartet, segunda-feira passada, dia 6 de junho, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, reservou-se nada menos que os quatro melhores pianos de cauda disponíveis em salas de concerto do Estado do Rio de Janeiro. Todos são da marca Steinway & Sons, a mais conceituada do mundo. Mas de que adianta isso se os instrumentos não se apresentam no melhor de sua forma? A reportagem do IG flagrou o estado preocupante de um deles, mostrando claros sinais de infestação por brocas (ou serão cupins mesmo?). Além disso, dois dos pianos tinham um pedal quebrado. É uma pena, realmente, dado o alto nível técnico e artístico do conjunto, como se pode ver nos vídeos abaixo. No primeiro deles, o grupo executa uma obra de Stefan Wirth, “Tango-Fugue on a Theme by Astor Piazzolla”. O segundo nos mostra a visita que os quatro pianistas fizeram à China, e também uma interpretação do Rhapsody in Blue, de Gershwin, que descamba repentinamente para o “gran finale” de La Valse, de Ravel:








31 maio 2011

Viva Roger Williams!

Meus amigos, começo este post falando da entrevista que Maurício Manieri deu para o Jô Soares, em seu programa de quarta-feira passada. “Como assim, Jô Soares e Maurício Manieri?!” Calma que eu já chego lá.

O Manieri (acho que poucos sabem) não é só cantor e compositor – digo isso principalmente aos que só se lembram dele por sua participação no reality show “A Fazenda”. Ele é bem mais do que isso. Uma rápida consulta na Wikipedia nos revela um músico talentoso, com boa formação pianística, e que já foi inclusive tecladista de importantes bandas e artistas nacionais e internacionais. Mas voltemos à tal entrevista. Lá pelas tantas, Manieri comentava o “cagaço” que tem de cemitérios, quando se lembrou da viagem que ele e sua mulher fizeram a Paris, onde visitou o Pére-Lachaise, maior cemitério daquela cidade. Disse ao Jô que tem pavor de lugares como aquele, mas abriu uma exceção porque queria visitar o túmulo de Chopin. Não há dúvidas de que Manieri gosta realmente de Chopin: além de ouvir suas obras, também as toca. E foi aí que eu me surpreendi: ele podia ter tocado qualquer coisa simples do grande mestre polonês (um prelúdio, por exemplo), mas optou por um trecho do Estudo Opus 10 no.12 - o famoso “Estudo Revolucionário”. E é aí que eu chego a Roger Williams, porque toda vez que ouço esse Estudo eu me lembro do momento em que o ouvi pela primeira vez. Eu ainda era criança, mas me lembro perfeitamente de quando meu pai chegou em casa com um álbum desse pianista e o colocou no toca-discos. O álbum era o “Love Theme from GodFather” (Love Theme from "The Godfather" (Kapp KS3665, 1972)), e a faixa que mais me impressionou foi exatamente a em que ele toca uma versão do tal Estudo de Chopin.

Aí, pensei: “por que não falar sobre isso em meu próximo post?” Para começar, então, fiz uma rápida pesquisa. A primeira coisa que descobri sobre Roger Williams foi que ele tem um site oficial – e que está vivo. “Que bom”, pensei. Está com 86 anos (como o tempo passa!), mas continua dando os seus “concertos” (ele tem até a sua própria orquestra, que o acompanha em todos os shows).

Mas eis que vejo a seguinte mensagem num dos cantos de sua página oficial: “Clck Here to Read a SPECIAL NOTE FROM ROGER WILLIAMS”. Uma nota especial? O que seria? Nessa nota (datada de março deste ano), Williams revela que está com câncer no pâncreas. O prognóstico não é nada animador. Roger, no entanto, diz que não se abateu, que está decidido a lutar contra a doença, e que quer compartilhar essa luta com o seu público, que é quem, em sua opinião, permitiu que ele tivesse vivido até hoje fazendo o que mais gosta, ou seja, tocando piano. Além disso, diz que não pretende cancelar os shows já programados (incluindo o comemorativo ao seu 87º aniversário, em 1 de outubro). Paralelamente, fará um tratamento quimioterápico, numa tentativa de reduzir o tumor até que este possa ser retirado cirurgicamente. Sorte para ele! (coloquei uma tradução de sua nota no final deste post)

Roger Williams talvez seja mais conhecido entre nós, brasileiros, (e principalmente entre os mais jovens) por uma música apenas: o tema do filme “Em Algum Lugar do Passado” (“Somewhere in Time”). A música é de John Barry. Mas é Williams quem a toca – eu coloco essa informação em destaque porque é assim que ela aparece nos créditos do filme. O vídeo abaixo contem a gravação “oficial”, ou seja, a que foi utilizada no filme e, portanto, inserida no álbum de sua trilha sonora:



Já no vídeo abaixo, o vemos numa apresentação ao vivo no Crystal Cathedral, em outubro de 2009. Fazia só três dias que ele tinha completado 85 anos de idade. Aqui, ele toca duas músicas interligadas: “The Rose” e, mais uma vez, “Somewhere in Time”:



Até 2004, Roger Williams já havia lançado 116 álbuns. Uma carreira e tanto, sem dúvida. Praticamente não há tema de filme romântico que ele não tenha gravado. Citarei apenas um: “Memories”, do filme “The Way We Were” (O Nosso Amor de Ontem), estrelado por Robert Redford e Barbra Streisand. A sua versão para essa belíssima melodia costumava tocar muito nas rádios FM daquela época, de tal modo que eu já a conhecia (e admirava) quando esse filme foi exibido na televisão, em 1982:



Um tema mais antigo ainda: Three Coins in the Fountain:



Infelizmente, não achei uma única gravação de sua interpretação do Estudo Revolucionário de Chopin. Ainda tenho o vinil, mas seria necessário digitalizá-lo e disponibilizá-lo no YouTube – quem sabe um dia eu não o faça? Mas tem essa interpretação de Valentina Lisitsa:



De qualquer forma, uma boa amostra do seu talento, em minha opinião, está aqui, no álbum The Solid Gold Steinway:



E nesse Claire de Lune, de Debussy:



Há, também, esta pequena amostra de Zorba, o Grego:

(amazon.com)

Para terminar, eis uma tradução de sua nota:

Quem lhes fala aqui é Roger Williams. Podem me chamar de Rog. Por mais de 50 anos, amigos como você me deram a vida com a qual eu sempre sonhei. Permitiram que eu fizesse o que eu sei fazer melhor – tocar a música do meu coração. E também compraram meus discos e CDs, e foram aos meus concertos. Talvez nem tenha sido você, mas seus pais ou avós. Mesmo assim, agradeço a todos, do fundo do meu coração.

Já que devo a minha carreira a vocês, é com vocês que eu sempre tento ser aberto e franco. É por isso que decidi compartilhar com vocês as notícias que eu acabei de receber. Estou com câncer – câncer pancreático. E isso, como eles dizem, “não é nada bom”.

Os médicos descobriram um tumor maligno no meu pâncreas. Não dá para removê-lo por causa do seu tamanho. Por isso, comecei hoje mesmo uma quimioterapia.

E o que isso tudo significa? Significa que estou em mais uma luta – a luta pela minha vida. E de luta eu entendo: este velho campeão de boxe da Marinha está indo para o tudo ou nada. Esperem por mim!

Sei que há um bocado de gente por aí travando a mesma batalha – ou que tem algum ente querido ou amigo ou vizinho na mesma situação. Estamos todos juntos nessa. Afinal, devemos lutar ou nos deitarmos à espera da morte?

Tenho um concerto marcado para este domingo em Sun City, em Palm Desert. Acreditem: estarei lá com todos os meus grandes músicos. Se este for o meu último concerto, prometo que ao menos será grande! Além disso, não vou cancelar nenhum dos meus futuros concertos, incluindo o “Vegas, the Rocky Mountain PBS Special”, o “Piano Marathon”, e um concerto extraordinário para o meu 87º aniversário no “ISU”, da Marinha. Depois desse concerto no domingo, é seguir em frente, e continuar a quimioterapia com os melhores médicos deste mundo até que o tumor esteja pequeno o suficiente para ser extirpado.

A vida certamente tem seus altos e baixos, e, francamente, às vezes a gente é pego completamente desprevenido. Mas já estou me recuperando. Espero vê-los no meu próximo concerto. Venha aos bastidores para um grande abraço.

26 maio 2011

Qual é a graça da Música Clássica?

Quem disse que a Música Erudita não pode ser divertida?

Às vezes, não é a música em si que é divertida, mas o seu intérprete. É o caso de Victor Borge, pianista e comediante dinamarquês (foto ao lado).

No vídeo abaixo, ele interpreta a Abertura de Guilherme Tell, de Rossini... de trás para frente!





Agora, ele e o violinista Anton Kontra interpretam Csardas, de Vittorio Monti:



Ainda as Csardas, desta vez com a virtuose da flauta doce Michala Petri, sua conterrânea:



Outro intérprete divertido é Dudley Moore. Ele ficou mais conhecido como ator e comediante, mas também era um músico de mão cheia. No vídeo abaixo, Moore interpreta uma peça com todas as características de uma sonata de Beethoven, exceto pelo tema, que é do filme “A Ponte Sobre o Rio Kwai”:



Beethoven, onde quer que esteja, deve ter adorado também essa versão dos Muppets para a “Ode à Alegria”, de sua Nona Sinfonia:



E teria sido a sua Quinta Sinfonia inspirada numa briga de casal?



Mr.Bean em dois vídeos, tocando uma bateria e depois um piano - ambos imaginários:







Neste post, há uma seleção de desenhos animados, todos relacionados à Música, que eu considero os mais divertidos que eu já vi.

E neste, há alguns vídeos de Richard Grayson. Aqui a diversão fica por conta de sua impressionante capacidade de improvisar qualquer tema (eu disse QUALQUER TEMA) no estilo de qualquer compositor erudito (que tal “Singing in the Rain” ao estilo de Wagner?).

Outras vezes, nem compositor nem intérprete são capazes de prever a reação da platéia a determinadas músicas. O segundo movimento da Simple Symphony, de Benjamin Britten, costuma provocar risos discretos entre os espectadores:




21 maio 2011

De Mozart a... Neil Sedaka?




Um curioso artigo da npr music... mas não há necessidade de traduzí-lo. Basta um resumo. Em poucas palavras, o autor nos fala de sua surpresa ao descobrir que Neil Sedaka, um artista popular conhecido por músicas como "Breaking Up Is Hard to Do", "Oh, Carol" e "Calendar Girl", teve uma formação musical de primeira: não somente estudou na prestigiadíssima Julliard School, como foi aluno de Rosina Lhévinne – mestra de grandes nomes da música erudita como John Williams, van Cliburn e James Levine. De fato, aos 16 anos, Sedaka chegou a vencer um concurso para jovens pianistas, de cujo júri fazia parte Artur Rubinstein. Mas o mais interessante mesmo é o fato de que, retrocedendo em sua “genealogia musical”, Sedaka estaria separado por apenas cinco “gerações” de ninguém menos que Mozart. Confira isso no gráfico abaixo, preparado pelo próprio autor do artigo (as setas indicam quem foi professor de quem):




No mesmo artigo, ele aproveita para mostrar quem foi Rosina Lhévinne, exibindo um vídeo sobre sua atividade de educadora – incluindo depoimentos de alguns de seus alunos mais famosos, como James Levine e John Williams. Eis o vídeo:



O autor termina o artigo com uma pergunta: alguém aí conhece outra relação similar entre artistas pop da atualidade e grandes compositores clássicos do passado? Quem souber de alguma, pode mandar para os comentários deste blog.

(fonte: npr music)

19 maio 2011

Lang Lang: do tormento ao triunfo




Antes de ler o resto deste post, talvez fosse bom assistir aos vídeos abaixo. Eles dão uma mostra do talento de Lang Lang, jovem pianista chinês que já está sendo apontado como a maior novidade surgida na música clássica nas últimas décadas (será exagero?). Depois dos vídeos (não deixe de ver o terceiro, em que ele toca um estudo de Chopin segurando uma laranja com a mão direita), há a minha tradução da entrevista que ele concedeu a Ivan Hewett, do The Telegraph.









O pianista chinês Lang Lang é a maior sensação das últimas décadas na música clássica. Às vésperas de se estabelecer em Londres, ele conversa com Ivan Hewett.

É mais um dia cheio na agenda lotadíssima de Lang Lang. Vestindo um terno Armani prateado, eis que ele surge no lobby do hotel em que se hospeda em Paris, recém-saído de uma reunião para tratar de sua fundação global para o incentivo à prática de música entre crianças (essa tem sido a sua obsessão, refletida inclusive nos encontros que pretende manter em sua futura estadia em Londres com grupos de jovens pianistas). Ele pede um chá, joga-se numa cadeira, e lembra, rindo, que nosso encontro estava se dando num “primeiro de abril”. Existe uma tradição similar na China? – perguntei.

“Não, não existe. E a primeira vez que ouvi falar disso foi quando cheguei à América. Mas eu tinha apenas 14 anos quando me mudei para lá. Metade da minha vida, portanto, eu vivi na América. É natural que eu já tenha assimilado algumas de suas tradições”.

O longo processo de adaptação aos hábitos ocidentais começou em 1997, quando Lang Lang ganhou uma bolsa de estudos na Curtis Institute, na Filadélfia. Essa foi sua primeira viagem para longe de casa? “Não, eu já havia estado na Alemanha um ano antes, para uma competição entre pianistas. Lembro-me de ter andado pelas ruas, visto aqueles prédios enormes e antigos, e de ter me impressionado com a solidez deles. Nós também temos prédios muito antigos na China, mas são todos feitos de madeira, de modo que, para mim, aquilo era uma grande novidade”.

Você já conhecia algo sobre a Europa nessa ocasião? Seus olhos brilharam. “Claro! Eu era totalmente maluco por futebol. Por causa disso, sabia os nomes de várias cidades britânicas, como Manchester e Liverpool, e italianas, como Perugia. Eu costumava assistir aos jogos pela tv a cabo, desde que a implantaram no início dos anos 1990”.

Que aventura não deve ter sido aquela viagem para um garoto que vinha de uma cidade quente, poeirenta e provinciana da China, onde acompanhava o futebol pela tv, tocando piano apenas “para se divertir”, como ele mesmo diz. E então veio a sua mudança para Pequim em busca de bons professores particulares de piano, na companhia de um pai ao mesmo tempo amoroso e tirânico - e convicto de que seu filho poderia se tornar o melhor pianista da China.

Sua primeira professora costumava humilhá-lo. “Ela me deixou arrasado”, disse Lang Lang com simplicidade, “disse-me que eu não tinha talento”. Existiam também discussões violentíssimas com seu pai, que o acusava de preguiçoso. A pressão era tanta que o garoto chegava ao ponto de esmurrar as paredes.

Mas um dia ele encontrou um professor que lhe devolveu a esperança. Depois da admissão no Central Conservatoire, viriam mais alguns anos de trabalho árduo. E então, ao vencer um concurso para jovens pianistas no Japão, ganhou uma bolsa de estudos na Curtis Institute.

Mas a verdadeira reviravolta em sua vida aconteceu num belo dia de 2000, quando teve que substituir às pressas um pianista que iria tocar o Concerto de Tchaikovsky em Chicago. Aquele foi o momento da revelação. Nos dez anos que se seguiram, Lang Lang tornou-se o maior fenômeno já surgido na música clássica em décadas. Tocou nos Jogos Olímpicos de Pequim para uma audiência de cinco bilhões de pessoas, seu rosto foi estampado em tablóides e revistas especializadas fazendo propaganda de marcas famosas como Armani e Audi, além de ter tocado em estádios ao lado de Herbie Hancock.

Quanto ao mundo da música clássica, esta se prostrou a seus pés. Lang Lang tem tocado com todas as grandes orquestras e em todas as mais consagradas salas de concerto.

Tanto tormento e tanto triunfo concentrados em tão poucos anos de vida deveriam fazê-lo transparecer algum tipo de cicatriz emocional. Mas não: assim como no momento em que nos fala de futebol, Lang Lang também vibra como um garoto irrequieto ao falar de Michael Jackson. Sua atração pelo showbiz nos remete ao início do século 19, quando não havia ainda uma linha divisória entre o simples entretenimento e a música de alto nível.

“É claro que a música clássica exige o mais alto grau de seriedade, mas por que não podemos também nos divertir com ela?”, disse. “A música clássica está mais próxima do meu coração, mas eu também adoro a música pop, e, para mim, artistas populares realmente grandes como Elvis e Michael Jackson alcançaram o mais alto nível artístico. Tento trazer esse conceito para dentro da música clássica quando me dirijo a uma platéia mais jovem, mesmo porque tenho a idade deles e, por isso, conseguimos ver o mundo de uma maneira parecida.”

Não por acaso, Lang Lang tem uma predileção por Franz Liszt, o maior showman entre todos os grandes nomes da música do século 19. Mas será que, para ele, Liszt foi um compositor sério? “Ele tinha um lado extravagante, mas também um lado sério, e eu gosto dessa combinação. Sinto-me próximo de Liszt justamente por ele não ter sido um “deus” como Mozart, que se aproximava da perfeição em tudo que fazia. Além disso, Liszt foi um ser humano excepcional. Ajudou muita gente, como Chopin e Wagner”.

Por outro lado, Lang Lang admite que música séria e sem extravagâncias também possa estar associada a valores especiais e apresentar seus próprios desafios. “O problema é que, com dificuldades puramente técnicas, você percebe quando as superou,” diz. “Com dificuldades musicais, não. Às vezes você vence uma batalha durante o seu estudo em casa, mas no palco a guerra continua”.

Ele também chegou à conclusão de que, além de talento e muito trabalho, existe um terceiro fator, que, por sua natureza, deve ser levado em consideração. “Eu sempre dou o melhor de mim, mas isso não significa que todo concerto será a minha melhor performance, mesmo porque há peças que exigem anos para serem perfeitamente assimiladas”.

Tais como? “O Primeiro Concerto de Brahms. Só depois da oitava performance eu senti que havia chegado perto do ideal. Ou a Sonata Hammerklavier de Beethoven, que ainda não toquei em público porque preciso adquirir maior confiança. O movimento lento é muito difícil porque há uma longa sequência em que se deve usar o pedal, mas não muito, para não soar tão romântico como em Chopin, por exemplo. Do contrário, a tensão desaparece”.

Vivendo há tanto tempo na América, será que ele já se sente ocidentalizado? “Bem, eu não estou bem certo disso. É verdade que me sinto em casa quando estou na Filadélfia, mas há coisas na cultura chinesa que me fazem falta. É impressionante como tudo aqui funciona na base do crédito. Penso que a educação nos níveis superiores seja boa, mas acho que nos níveis elementares deveria existir menos diversão e mais disciplina e respeito”.

Essa conversa já está tomando um rumo meio “confucionista”. E o que ele pensa a respeito de Amy Chua, a “mãe tigresa” que causou tanta controvérsia nos EUA ao lançar um livro que fala da disciplina draconiana chinesa? “Bem, aquilo foi um exagero. E todo exagero é ruim”.

Mas aqui ele faz uma pausa para, em seguida, sair-se com um arremate surpreendente. “Mas, na música, não se pode ficar no meio-termo. Se a música diz “presto”, você não pode fazer “moderato”. Se você fica no meio-termo, musicalmente falando, você vira uma espécie de burocrata”, disse, em tom subitamente mais inflamado.

Equilíbrio na vida, intensidade extrema na arte – este parece ser o lema de Lang Lang. Criadores visionários e audazes são certamente os seus preferidos.

“Neste exato momento, estou lendo um bocado de coisas sobre Picasso, que foi um gigante. Necessito de gigantes como Beethoven e Picasso me mostrando o caminho a seguir. Na música clássica, temos alguns compositores interessantes, que empregam conceitos inteligentes em suas peças, tais como matemática, sorte ou coisa assim.

“Dos compositores contemporâneos, entretanto, não existe ainda nenhum que fale à sociedade como um todo. Espero que tal compositor surja algum dia, no futuro”.

(fonte: The Telegraph)

08 maio 2011

John Walker recria grandes interpretações




Será que algum dia existirá um programa de computador capaz de gerar partituras a partir de músicas gravadas em arquivos MP3? Estou entre os que acreditam que sim. Esse é, inclusive, o sonho de nove entre dez músicos (senão de todos). Mas está longe de ser conseguido. Alguns dos softwares que eu conheço até que se saem maravilhosamente bem com música monofônica. O bicho pega mesmo é com a polifonia (um dia, volto aqui para tratar especificamente desse assunto). A palestra que veremos no vídeo abaixo tem muito a ver com o que acabei de falar. Nela, John Q. Walker nos fala de um produto que realmente funciona – ou seja, que faz aquilo a que se propõe, que é recriar, num piano acústico real, uma performance gravada anteriormente. Não se trata da transcrição propriamente dita, ou seja, das notas, mas do “toque”, da força com que os dedos do pianista aciona cada tecla, e das inúmeras gradações de pedal. Não deixa de ser um verdadeiro milagre da tecnologia. Leia, antes, a sinopse que acompanha o vídeo no site da TED Talks:

Imagine-se ouvindo grandes pianistas, já falecidos, tocando agora novamente, como se estivessem vivos. John Q. Walker demonstra como as gravações podem ser analisadas para determinar com precisão os toques nas teclas e os movimentos de pedal para, então, serem tocadas novamente em pianos de concerto controlados por computador.

(aproveite para ver também a minha seção de partituras gratuitas: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)







21 janeiro 2011

Super Mario themes - partituras para piano




O pianista Joseph Karam fez um trabalho magnífico ao transcrever para o piano todos os temas do videogame SuperMario.
O feito é valiosíssimo, principalmente para os que já passaram muitas horas de suas vidas entretidos com as aventuras desse herói dos videogames. Logo abaixo, disponibilizo um link para o site com todas as partituras, mas eu sugeriria que, antes de mais nada, se ouvisse o excelente trabalho de um outro pianista, Martin Leung, que preparou e executou este medley de temas do Super Mario.(fonte: npr music)

Aqui estão as PARTITURAS com as transcrições para o piano de todos os temas do videogame Super Mario.

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)





Piano com 102 teclas!




A Stuart and Sons é uma companhia australiana que fabrica pianos. Seria apenas uma a mais, se não tivesse tido a coragem de inovar: o seu piano tem 102 teclas! São 14 a mais que nos pianos convencionais - 9 nos graves e 5 nos agudos. Não há uma única peça no repertório clássico que faça uso dessas notas extras (na verdade, alguém teria que compor especificamente para esse instrumento), mas os fabricantes se defendem dizendo que, com o seu produto, a música ganha em sonoridade – o que até pode ser verdade, uma vez que mesmo as cordas que não são diretamente acionadas acabam vibrando por ressonância. Querem saber? Eu até acho que isso pode ajudar a reduzir uma eventual desvantagem entre esse instrumento e um Steinway and Sons, por exemplo. De qualquer maneira, talvez fosse bom conferir a reportagem da NPR Music, que pode não somente ser lida mas também ouvida - o que, certamente, será mais interessante, haja vista os exemplos sonoros que a acompanham. No site oficial da Stuart and Sons, você encontrará mais detalhes, com direito a diversos vídeos.




18 janeiro 2011

Stephanie Trick




Nesse outro post, eu já havia mostrado um vídeo muito interessante em que Stephen Malinowski, o criador do Musanim (ou MAM), interpreta uma peça de Scott Joplin. Confesso que não conhecia a tal peça, mas fiquei tão encantado com ela como no dia em que ouvi, pela primeira vez, "The Entertainer", a obra mais difundida desse compositor. Voltar a ouvir algo de sua autoria me despertou a curiosidade não somente em relação a esse mestre, mas também em relação ao gênero musical que ele tentou - e conseguiu - imortalizar. No final do ano passado, enquanto navegava pelo YouTube em busca de vídeos sobre Joplin, acabei me deparando com o de uma pianista muito jovem, e que me chamou a atenção não só pelo impressionante domínio da técnica, mas também por ter feito do gênero Ragtime o fio condutor de sua carreira. Trata-se de Stephanie Trick - essa, sim, é uma verdadeira especialista no Ragtime.

No primeiro vídeo, ela toca "The Finger Breaker", de Jelly Roll Morton. No segundo, ela toca "Handful of Keys", de Fats Waller, que é, na verdade, um exemplar de "stride piano" - um gênero que evoluiu a partir do ragtime e que se caracteriza por grandes saltos (com intervalos de quase duas oitavas) na mão esquerda e uma maior liberdade de improviso na mão direita.







15 janeiro 2011

Homenagem a Nélson Freire

No dia 31 de dezembro último, o governo francês assinou um decreto anunciando que o pianista Nélson Freire será condecorado como Cavaleiro da Legião da Honra na França. Para se ter uma idéia da importância desta homenagem, basta ver que ela só é concedida a quem, comprovadamente, tenha desempenhado atividades classificadas como de “mérito excepcional” por pelo menos duas décadas. O vídeo abaixo é extraído de um documentário de João Moreira Salles sobre Nélson Freire. Nele, vê-se a sua obstinada luta para superar um “trecho difícil” do Segundo Concerto para Piano de Brahms:






(fonte: folha.uol)

14 janeiro 2011

Scott Joplin - Heliotrope Bouquet, ragtime piano solo




O vídeo abaixo é mais um exemplo de visualização musical obtido com o programa Musanim, desenvolvido por Stephen Malinowski. Dessa vez, escolheu-se uma obra de Scott Joplin - Heliotrope Bouquet. Neste site, você encontrará a partitura e outros dados sobre essa obra e seu compositor.

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)






13 dezembro 2010

Greyson Chance

O YouTube divulgou a lista dos vídeos mais “virais” de 2010. Quero destacar o que ficou em terceiro lugar, com mais de 30 milhões de acessos (pelo menos até agora). É o de Greyson Chance, de 13 anos. No vídeo (abaixo), ele mostra a sua interpretação de um sucesso de Lady Gaga, “Paparazzi”, para um festival de música de sua escola. Eu não estaria falando dele aqui se, além de tudo, ele não fosse, também, um compositor. Fiquemos, por enquanto, apenas com o vídeo que o lançou:



25 novembro 2010

Mini-Mozart: Edward Tomanek, de sete anos, é o mais jovem compositor da Inglaterra

De vez em quando, surgem notícias animadoras como essa que eu li hoje.

Seria mesmo verdade que uma criança de apenas sete anos estaria compondo peças eruditas? Seria essa criança um novo “Mozart”? A manchete do Daily Mail não deixa margem a dúvidas: “Criança prodígio torna-se o mais jovem compositor da Inglaterra aos sete anos!”.



Essa criança se chama Edward Tomanek. Este ano, Tomanek graduou-se em piano e violino (depois de apenas quatro anos de estudos!), obtendo grau 8 nos respectivos exames. Agora, resolveu estudar órgão, e já começou a praticar no instrumento de uma igreja da vila em que vive com os pais, em Somersham, Cambridgeshire. Mas tudo indica que ele não vai parar por aí. Tomanek confessa que adora compor. A reportagem, entretanto, não deixa claro se ele realmente estudou para isso, ou se compõe baseado apenas no que aprendeu com os instrumentos.

Saí, então, à caça de algum vídeo em que pudéssemos vê-lo tocando qualquer coisa, mas não encontrei nada. Deparei-me com o de uma menina americana que, também aos sete anos, venceu um concurso de jovens talentos da ASCAP, em 2008. Chama-se Emily Bear. Eu diria que ela é mesmo impressionante. Vejam-na, no vídeo abaixo, executando uma peça de sua autoria.

Obs: De qualquer forma, não foi desta vez que Mozart perdeu o trono - já que começou a compor aos cinco anos, e com onze já compunha com tal desenvoltura que, para convencer o príncipe-arcebispo de que não se tratava de uma fraude, aceitou escrever uma “Paixão de Cristo” sozinho numa sala vigiada. Um milagre, realmente.






20 novembro 2010

Pianista sem braços fará turnê mundial

Sabem aquele pianista chinês que toca com os pés?

Pois agora o seu talento poderá ser apreciado também fora da China, numa turnê mundial que, por enquanto, inclui apenas as cidades de Hong-Kong, Paris, Viena e Taipei.
(fonte: reuters)

Liu Wei, de 23 anos, tinha somente 10 quando teve os braços amputados devido a uma forte descarga elétrica que sofreu enquanto brincava de “pique-esconde”. Há cinco anos, decidiu aprender a tocar piano com os pés, treinando até sete horas por dia. Ao apresentar-se em agosto na versão chinesa do programa de televisão “Got Talent” (o mesmo que, em sua versão inglesa, revelou ao mundo o talento de Susan Boyle), arrebatou os jurados e a platéia com uma versão de “Marriage D’Amour”. No mês passado, foi declarado o vencedor da disputa.
(fonte: reuters)

Veja o vídeo de sua primeira apresentação no Got Talent:



19 novembro 2010

Ásia domina premiações na competição de piano de Genebra

Duas jovens pianistas, uma do Japão e a outra da Coréia do Sul, demonstram o domínio dos asiáticos no mundo da música clássica na Competição Internacional de Música de Genebra, na noite desta última quinta-feira

A japonêsa Mami Hagiwara levou o prêmio máximo do júri (20 mil francos suíços) pela sua interpretação do Concerto para Piano, em Sol Maior, de Maurice Ravel.

A sul-coreana Hyo Joo Lee levou o segundo prêmio (12 mil francos suíços) pela sua interpretação do Segundo Concerto para Piano, em Dó menor, de Rachmaninoff.

Mas foi Lee, de 25 anos, que, graças à sensibilidade e à maestria com que executou uma das grandes obras do romantismo tardio, recebeu a maior votação do público que lotou o auditório, além de um contrato para gravar um CD com a orquestra patrocinada pela relojoaria suíça Breguet, do grupo Swatch.

A competição de Genebra, que existe desde 1939, é uma das mais prestigiadas do circuito internacional, tendo entre seus antigos laureados nomes da estatura de Martha Argerich e Maurizio Pollini.

Na edição deste ano, os inscritos vieram, em sua grande maioria, de países do Sudeste Asiático, com 41 participantes. A Rússia ocupa o segundo lugar no número de inscritos.

Com referências a um jazz explosivo no primeiro movimento e a uma cavalaria militar no último, o concerto de Ravel, escolhido por Hagiwara, de 23 anos, é uma peça que sempre exige muito de seus executantes. Já o segundo movimento, aparentemente menos interessante, ela o abordou com uma delicadeza firme, jamais permitindo que o piano fosse ofuscado pela orquestra.

O júri premiou a terceira finalista, a russa Maria Masycheva, com um outro segundo prêmio. Para exibir todo o seu domínio da técnica, Masycheva, de 28 anos, escolheu uma peça considerada diabolicamente difícil: o Terceiro Concerto para Piano, em Dó Maior, de Sergei Prokofiev.

Os finalistas tocaram num piano Steinway e foram acompanhados pela Orchestre de la Suisse Romande, atualmente a principal orquestra da Suíça.

(fonte: reuters)

Como tocar piano




É possível aprender a tocar piano desta maneira?

Synthesia é um software com o qual se pode aprender a tocar qualquer peça para piano sem que se saiba ler a sua partitura. Trata-se de uma abordagem muito interessante, que tira proveito de uma parte do enorme potencial educacional dos computadores. Os vídeos abaixo são uma pequena demonstração da filosofia desse software. O download é gratuito, e pode ser feito no site da Synthesia.

(veja também: Free Sheet Music Download - DOWNLOAD GRATUITO DE PARTITURAS, uma extensa coleção de links para downloads de partituras gratuitas na Internet)




Chopin – Valsa Op.64 No.2 (Parte 1)



Beethoven – Sonata “A Tempestade” (Mov. 3) (100% da velocidade)



Beethoven – Sonata “A Tempestade” (Mov. 3) (30% da velocidade)



Beethoven – Sonata “Ao Luar” (Mov. 3) (100% da velocidade)



10 novembro 2010

Concerto para Piano de Grieg em dois estilos




Os dois vídeos a seguir mostram a mesma peça (terceiro movimento do Concerto para Piano de Grieg) tocada por dois dos maiores pianistas do século XX. Há diferenças perceptíveis entre as duas interpretações, mas nada que se compare ao contraste existente entre a energia contida de um e a explosividade do outro. E então? Qual dos dois você prefere: