26 junho 2009

Nord Stage EX






Teclados
NORD Stage EX

(piano de palco)
Quem viu a Vanessa da Matta cantando no programa Altas Horas, na madrugada de 14 de junho, deve ter notado, lá atrás, um teclado vermelhinho, muito bonito por sinal. Talvez tenham prestado atenção, também, ao seu som super-expressivo. No caso, o tecladista havia escolhido um dos sons de Hohner Clavinet, ao que parece um dos preferidos pelos seus usuários.

O teclado em questão é o Nord Stage EX, da Clavia, uma empresa sueca especializada em teclados (para ouvir alguns exemplos, clique aí na coluna à esquerda, em VÍDEOS DA SEMANA).

Quem já viu um Nord Stage padrão achará este modelo EX muito semelhante, a não ser pelas cores do painel, que agora é amplamente dominado pelo cinza e pelo preto, ao contrário do antecessor, que é multi-colorido. Ainda como “upgrade” em relação ao modelo padrão, o EX apresenta dois novos sons de Italian harpsichords, que são realmente excepcionais, além de vir com o dobro da memória (128MB).


AS SEÇÕES

Seus instrumentos são divididos em três seções:

Órgão:


Piano:


Sintetizador:


No painel, além das seções de instrumentos, há também as seguintes seções:

Extern Section, Effects, AmpSim/Eq, Compressor e Reverb:



As figuras abaixo mostram mais alguns detalhes do painel:

Layers & Split


Morphing


Clavinet Eq


Keyboard action



OS PIANOS

Este produto organiza sua coleção de pianos em seis categorias:

1 . Três “grand pianos” baseados no Yamaha C7 e no Steinway Model D;
2 . Dois “upright pianos” (pianos verticais, tipo armário);
3 . Um piano elétrico CP80 da Yamaha e uma mistura desse mesmo piano com o de um piano acústico;
4 . Três variações do Fender Rhodes: Mark I, Mark II e Mark V;
5 . Uma variante do Wurlitzer;
6 . E, finalmente, quatro instrumentos baseados no Hohner Clavinet.



Os samples de pianos elétricos, tanto os da Rhodes como o da Wurlitzer, são perfeitos. Os sons de piano acústico também são excelentes, com destaque para os do Studio Grand mk2, da Yamaha.

Achei magnífica a maneira como o teclado pode ser “dividido”, podendo atuar como se fossem vários instrumentos absolutamente independentes, inclusive no que diz respeito aos efeitos.

È digno de nota a preocupação da Clavia em dotar as teclas com diferentes ações dependendo do instrumento selecionado. Assim, por exemplo, nos pianos o disparo das notas é levemente antecipado para proporcionar maior velocidade. Para os órgãos, eles anteciparam ainda mais o disparo das notas para garantir um toque suave e ao mesmo tempo ágil. Já no Clavinet eles privilegiaram a precisão dos “staccatos”, simulando o pinçar das cordas, o que nada tem a ver com a ação dos “martelos” de um piano.

As versões com 88 e com 76 notas têm teclas pesadas, enquanto na Compact (que, por sinal, também tem 76 notas) as teclas são menores mas são semi-pesadas, isto é, cumprem o requisito mínimo para que o produto continue na categoria de piano de palco. Ter teclas pesadas, ou pelo menos semi-pesadas (que não simulem o mecanismo de um piano acústico mas que tenham algum peso, pelo menos), é requisito básico para qualquer Stage Piano. Vou terminar este artigo aproveitando a oportunidade para tentar esclarecer o que vêm a ser “teclas pesadas”.


O QUE SÃO TECLAS PESADAS?

Quem já experimentou tocar num piano acústico sabe que as teclas parecem realmente mais “pesadas” em comparação com as de um teclado amador ou semi-profissional. Para que uma corda do piano possa vibrar, um “martelo” precisa atingí-la, o que se dá graças a um mecanismo mais ou menos complexo. Embora feito de materiais leves (madeira, feltro, etc.), esse mecanismo (incluindo aí o “martelo”) tem um certo peso, que é transferido para as teclas do piano. Quando se fala em “ação” das teclas, fala-se principalmente dos diferentes estados em que a tecla pode estar, graças, principalmente, a um dispositivo inventado em 1821 por Sébastien Érard para permitir que uma corda seja atingida repetidamente sem a necessidade do retorno completo da tecla. O objetivo deste invento era claro: permitir a execução de notas repetidas a intervalos muito curtos. O sucesso desse mecanismo foi amplamente demonstrado nos recitais em que Franz Liszt se apresentava com pianos Érard, e logo fizeram com que todas as outras marcas de piano o adotassem desde então.

Por hoje, é só. Até o próximo artigo.






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